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Biblioteca Municipal de Grândola
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terça-feira, 26 de abril de 2016
Livro do Tempo
    "Nadia apenas sentiu um puxão na saca antes de cair desamparada no chão. O embate deixou-a sem ar e desnorteada. Assustada agarrou o livro que se encontrava no bolso do casaco. Levantou-se com dificuldade, tentando perceber quem lhe teria roubado a saca. Olhou para a rua e não viu ninguém, retirou o livro de capa castanha já muito gasta que mantinha no bolso, abrindo-o ao acaso escrevinhou em letra quase ilegível: “Dobrando a esquina um agente da autoridade apareceu, arrastando o ladrão da bolsa.” Fechou o livro guardando-o no bolso rapidamente e aguardou. Olhou para ambos os lados do passeio e dobrando a esquina um agente da autoridade apareceu. Numa das mãos segurava a sua saca vermelha, na outra, arrastava um corcunda baixote, com o rosto coberto de cicatrizes. Para um humano normal, não passaria de um ladrão miserável e feio, para Nadia, era um Norman, protector do Livro do Tempo e eterno inimigo. Eram uma raça empenhada em encontrar o Livro e o devolver ao Reino dos Daevas, mas muito, mesmo muito, pouco capaz.
   - Ó Senhor Agente, muito obrigada por ter recuperado a minha saca.
   - Vi-o a correr com uma bolsa de mulher nas mãos. Suspeitei logo que haveria aqui marosca. - Satisfeito o agente segurava firmemente o Norman.
   - Minha Senhora, preciso que me acompanhe à esquadra para a formalização da queixa.
   - Bem, se é mesmo necessário, deixe-me só tomar nota de uma coisa.
Agarrando no livro e na caneta que tinha guardado no bolso, rabiscou rapidamente, enquanto o Norman começava a guinchar e a atirar-se na direcção de Nadia, ao ver o tão desejado Livro do Tempo. “O Norman desapareceu para as profundezas do mar, enquanto o Agente perdeu a memória e se afastou.” Fechou o livro e fê-lo deslizar para dentro do casaco. À sua frente o Agente estava com sérias dificuldades em segurar o pequeno demónio, quando este desapareceu. O Agente estupefacto, olhava perplexo para onde há momentos se encontrava o Norman. Subitamente começou a andar, afastando-se de Nadia sem reparar ou despedir-se dela. Nadia colocou a mala ao ombro e dirigiu-se para o escritório. Teria de tomar mais atenção, um Norman havia-a encontrado, o que poderia indicar mais problemas para breve. Afinal quem não desejava o Livro do Tempo."

Carlos Coelho de Faria, in "Antologia Fénix de Ficção Cíentifica e Fantasia"

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