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Biblioteca Municipal de Grândola
Biblioteca Municipal de Grândola
Rua Dr. José Pereira Barradas 7570-281 Grândola tlf:269450080 fax:269498666 biblioteca@cm-grandola.pt
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Bom Fim-de-Semana!
Edward Hopper
1882-1967
Os funcionários da Biblioteca Municipal de Grândola desejam a todos os utilizadores um bom fim-de-semana.
Poema da Semana
Escuto

Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou deus

Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita

Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN in Cem poemas de Sophia

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Homenagem a António Feio
CONVERSA DA TRETA - Ana Konenkova 37

António Feio

1954-2010

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quinta-feira, 29 de julho de 2010
Ilustre Desconhecido - Stieg Larsson

Stieg Larsson foi um escritor e jornalista sueco, além de um acérrimo defensor dos direitos humanos. Nasceu em Västerbotten no ano de 1954 e faleceu repentinamente em Estocolmo, vítima de ataque cardíaco, em Novembro de 2004.

Nos finais da década de setenta, antes de iniciar a sua carreira como escritor, Stieg Larsson tornou-se conhecido no seu país por ser um influente activista na denúncia de organizações neo-fascistas e racistas. Em 1995, depois do assassinato de 7 pessoas às mãos de um grupo neo-Nazi, foi o principal impulsionador da criação da Expo, uma fundação com o objectivo de denunciar actividades racistas e anti-democráticas ligadas à extrema-direita e contrariar o seu crescimento junto dos jovens e das comunidades escolares. A actividade da Expo inclui a publicação de uma revista com o mesmo nome, que foi, desde o seu lançamento, alvo de ataques por parte da extrema-direita, tendo os seus redactores recebido ameaças de morte. Durante os últimos quinze anos da sua vida, Larsson e a sua companheira, Eva Gabrielsson, viveram sob a constante ameaça da violência extremista.

Por este motivo, a escrita tornou-se para Larsson um momento de descontracção e alheamento. Aos 50 anos, pouco antes da sua morte, entregou ao seu editor os manuscritos da trilogia policial que relata as aventuras do jornalista Mikael Blomkvist e da irreverente investigadora Lisbeth Salander. Stieg Larsson não viveu para assistir ao extraordinário fenómeno que a sua trilogia Millennium se veio a tornar; em 2008 foi o segundo autor mais vendido a nível mundial. Os três títulos, Os Homens que Odeiam as Mulheres, A Rapariga que Sonhava com Uma Lata de Gasolina e Um Fósforo e A Rainha no Palácio das Correntes de Ar foram adaptados com grande sucesso ao cinema.

Circulam rumores de que a família e a companheira do autor têm em seu poder os manuscritos das quarta, quinta e sexta partes da saga, o que enche de esperança os admiradores incondicionais das personagens criadas pelo prematuramente desaparecido escritor com a perspectiva de novas aventuras.

A trilogia Millennium está disponível na sua Biblioteca.

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Oficina de Ilustração



Entre os dias 12 e 23 de Julho, decorreu na Biblioteca Municipal a Oficina de Ilustração, orientada por Catarina Saldanha.

Contou com a participação de Joana Oliveira, Hugo Paulino, Rafaela Marques, Miguel Nunes, Bárbara Pancadinha, Ludomila Guerreiro, Dalila Guerreiro, Ana Raquel Pereira, Emília Nunes, Inês Nunes, João Tomás Tavares, Eduarda Ramos e Bruno Victor.

No âmbito da oficina, as crianças criaram e ilustraram a história o "Javalo de Tróia."

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quarta-feira, 28 de julho de 2010
Animação Infantil





Sábado 24 de Julho no Jardim 1.º de Maio, decorreu a peça "O João Pateta" pela companhia Maurioneta.

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O Pequeno Grande Estratega
Adorava jogar jogos de estratégia.
Passava horas à volta do tabuleiro do Risco.
A avançar com exércitos de cores variadas.
A invadir países, novos continentes.
A destruir castelos e praças-fortes.
A afundar navios, a atingir aviões.
Quando ficava senhor do Mundo sentia-se o maior.

Descobrira, há pouco tempo, o Age of Empires.
Começar do nada.
Ir construindo exércitos e fortalezas.
Alargando as fileiras, destruindo os adversários.
Eliminar todos os outros impérios.
Até ficar um único, o seu.
Aí, inchava como um peru, impante de orgulho.

Também gostava da Batalha Naval.
Dar cabo das esquadras inimigas.
Descobrir a localização das embarcações.
Atirar-lhe com petardos para cima.
Deixá-los a apodrecer no fundo dos oceanos.
Que, no caso, eram páginas quadriculadas.
Cheias de anotações.
Códigos que só ele percebia.

Na escola, todos gozavam com ele.
Porque era baixinho e gordalhufo.
Com um caracol no meio da testa e uma barriguinha já proeminente.
Quando as miúdas lhe dirigiam a palavra, ele, tímido, não sabia o que fazer com as mãos, que escondia onde calhava.

Mas sabia que um dia ia vingar-se.
Todos aqueles vermes rastejariam a seus pés.
As mulheres perssegui-lo-iam.
Os artistas quereriam retratá-lo.
Ia ter um império a que chamaria só seu.

Entretido por estes sonhos, nem deu pelo passar das horas.
A voz da mãe despertou-o dos desvaneios.
- Vem já para a mesa, Napoleão! - gritava ela. - Estou farta de te chamar, Napoleão Bonaparte!!!



Ernesto E. Minguêi in O Canto do Galo: Micocontos do Blog O galo de Barcelos ao Poder

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Dia Mundial dos Avós

No Dia Mundial dos Avós, 26 de Julho, a Câmara Municipal realizou, no Jardim 1.º de Maio, diversas iniciativas.

A Biblioteca do Jardim juntou-se à festa!

Aqui ficam algumas recordações desse dia bem passado.


















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terça-feira, 27 de julho de 2010
Novidades de Livros



BARRETO, António Garcia
Um sorriso para a eternidade
82 LP-3 BRR


CARLIN, John
Invictus: o triunfo de Mandela
94(6) CRL


MANEA, Norman
O regresso do Hooligan
82 LE-3 MNA






TRILLO, Carlos
Bird
82-9 TRL


CIVIELLO
Korrigans
82-9 CVL


CIVIELLO
Semente de loucura
82-9 CVL



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sexta-feira, 23 de julho de 2010
Bom Fim-de-Semana

Vincent Van Gogh

Os funcionários desejam-lhe um agradável fim-de-semana!

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Poema da Semana

CANÇÃO


Tinha um cravo no meu balcão;
veio um rapaz e pediu-mo
-- mãe, dou-lho ou não?
Sentada, bordava um lenço de mão;
veio um rapaz e pediu-mo
-- mãe, dou-lho ou não?
Dei um cravo e dei um lenço,
só não dei o coração;
mas se o rapaz mo pedir
-- mãe, dou-lho ou não?



Eugénio de Andrade
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Animação Infantil




No sábado 17 de Julho decorreu no Jardim 1.º de Maio pelas 11h00 a peça de teatro "A menina do mar," apresentada pela companhia Lua Cheia Teatro para Todos.


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Livro da Semana




Precious: a força de uma mulher
Esta história passa-se nos finais dos anos 80, no bairro do Harlem em Nova York, e conta o drama de uma adolescente, Clraireece Precious Jones, discriminada por ser negra, analfabeta, obesa e pobre. Maltratada pela família, Precious está cada vez mais próxima do abismo, até ao dia em que é admitida numa instituição para crianças socialmente desfavorecidas.
Pela mão da sua nova professora, Blue Rain, Precious descobre a magia da escrita e da leitura e percebe que também tem sentimentos e sonhos como todos os outros.
Este livro deu origem ao filme Precious, uma produção independente Norte-Americana nomeada para quatro categorias nos Óscares de 2010.
Este livro encontra-se na biblioteca com a cota 82 LE-3 SPP

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terça-feira, 20 de julho de 2010
No âmbito da PORTUGAL ARTE 10 a Biblioteca Municipal apresenta a exposição SERENDIPITY - Arte Cubana Contemporânea (fragmento), composta por trabalhos dos artistas Agustín Bejarano, Alejandro Campins, Roberto fabelo, Rocío Garcia, Arturo Montoto, Pedro Pablo Oliva, Gustavo Pérez, Raúl Cordero, Ruben Rodriguez, Alfredo Sosabravo e Jorge Wellesley. Para ver até 15 de Agosto (2ªfeira das 13h00 às 19H00; 3ª a 6ª das 9H30 às 19H00; Sábado das 10H00 às 13H00).


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Carta
Eis que te procuro agora como nunca, te espero agora como nunca. Se tu viesses... A casa fica no meio de oliveiras e de um quintal de verdura. O tempo não passa por ela distraído, e demora-se sempre um pouco. Quando é pela Primavera, há flores nas macieiras e pintainhos novos pelo pátio.
E quando é o Verão, há as manhãs solenes, e quando é o Outono, o ouro das colheitas. Lembro essas manhãs e o brilho fresco da água pelas noites sufocantes de Julho, e o frémito da terra na hora do recomeço. Meu pai, quando parti, disse-me:
- Volta
Minha mãe olhava-me em silêncio, dorida, e todavia serena como se detivesse o fio do meu destino, ou soubesse, da sua carne, que tudo estava certo com a vida: o nascer, partir, o morrer.
- Volta - repetiu ainda meu pai.
Eis que volto, enfim, nesta tarde de Inverno, e o ciclo se fechou. Abro as portas da casa deserta, abro as janelas e a varanda. No quintal as ervas crescem com as sombras, as oliveiras têm a cor escura do céu. Em baixo, no chão húmido ao pé da loja, há restos de ferragem enferrujada: um sacho sem cabo, um aro de pipa, um regador. Meu pai amava a terra. Lembro-me de o ajudar a podar o pequeno corrimão de videiras, de lhe ir encher o regador para o cebolo novo. Minha mãe olhava-nos da varanda e os três sabíamos uns dos outros no silêncio dos corações. Pensei, sofri, lutei. Mas de tudo o que aconteceu é como se nada me tivesse acontecido.
Alguém me incumbiu do que fiz, muito antes de eu nascer, quando outrs homens, outra gente, acabavam a tarefa que eu havia de começar. Essa tarefa deixo-a aos que vierem depois. De tudo, ficou-me apenas esta voz humilde que ouço, que ouço.
- Se voltares - tu o dizias.
Aqui estou. Acendo lenha no fogão e as chamas crescem como memória antiga. Silêncio bom. Como outrora. Como quando nada tínhamos já a dizer, e estavámos cheios, todavia, da presença um do outro. Estendo as minhas mãos ao calor, e olho, e escuto. O lume enche-as de sangue, acende-as por dentro como brasas. Tu dizias:
- Ninguém conhece as suas mãos. Só talvez as dos outros. É bom ter as tuas aqui, com os dedos todos submissos.
Estranhas noites estas de Inverno, sem um rumor. Só os cães ladram das quintas. Discutem pela noite fora até adormecerem. Ouço um já rouco, lá nos confins da noite, agora a falar sozinho, decerto para ter a última palavra. Houve um cão outrora cá em casa. Numa manhã de chuva, achámo-lo à porta da cozinha, todo ensopado, a tiritar. Minha mãe não gostava de cães:
- Sujam tudo, roem tudo.
Enxuguei-o, dei-lhe pão, pus-lhe um nome. Minha mãe reignou-se. Os caçadores levavam-no à caça porque tinha bom faro. Um dia, não sei como, mataram-no com um tiro.
Era um cão perdigueiro. Tinha um olhar humano.
A chama apaga-se, a pirâmide de carvões desmorona-se.
Os cães adormecem enfim, sob o grande céu de estrelas.
Não há lua. Nem vento. Só as estrelas vibram no céu negro de veludo. Se tu viesses. Eu te imagino, desde o fundo do meu cansaço, silenciosa e grave como esta hora final, como um apelo obscuro vindo do abismo do tempo. Um halo de sombra coroa o teu olhar, a tua presença é quente como o fluido da ternura. Tudo em vão, tudo em vão. Ou não bem isso, não bem isso. Alguma coisa me fica esperando talvez, desde antes e antes, qualquer coisa que eu trazia do lado de lá da vida. Eis que a encontro e me fala e me floresce no sangue e procuro reconhecê-la na tua face. Aqui ao pé do fogão há uma cadeira de braços. Minha mãe sentava-se nela, meu pai nesta em que escrevo. Pelas noites de vento, olhavam o lume, deixam-se adormecer... Tu dizias:
- É bom terem já dito tudo e reconhecerem-se ainda.
Abro de novo a varanda para a noite, o ar gela-me a face como um espelho. Ao fundo do quintal havia uma figueira grande. Minha mãe franjeava xailes e cintas para fora. E eu atava as cintas e balouçava-me na figueira.
- Ah, tu acabas por deitar a figueira abaixo. E já rompeste duas cintas.
Numa noite brava de Inverno, a figueira caiu. E minha mãe dizia sempre, daí em diante, que fora de eu me balouçar...
Tanta coisa aconteceu e eu recordo e eu recupero não talvez bem na lembrança, não talvez, mas num apelo indistinto e longínquo e angustiante como o silêncio desta noite.
Olho ainda frémito das estrelas sobre a aridez fria da terra.
E penso: «Qualquer coisa vai acontecer de misterioso e grande, qualquer coisa miraculosa se anuncia como a vinda de Deus.»
- Sim, a esperança é talvez a parte melhor da vida.
Tu o dizias. Eis que porém a minha esperança tem agora a cor do cansaço e da resignação. E de tudo o que pensei e quis que brotasse da terra, de tudo o que foi novo e me comoveu, da agitação do meu sangue, do clamor com que fiquei rouco, da fúria, do choro, da alegria, de tudo o que me deu a conhecer os meus dentes, os meus ossos, as minhas pobress vísceras - a forma que se desenha e que me envolve agora tem o volume quente do seio da piedade. Se amanhã quando me erguesse e pensasse que havia ainda um dia árido a vencer, e outra noite, e outro dia, e quantos dias e quantas noites o tempo guarda para mim, eu de manhã te encontrasse preparando o fogão e o aroma da casa, e te sentasses nesta cadeira ao lado, e os dois nos esquecêssemos de falar, até um dia, até um dia, e nos deixássemos enfim adormecer...
Vergílio Ferreira in Contos

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segunda-feira, 19 de julho de 2010
Novidades de Livros



HAGE, Rawi
Exílio
82 LE-3 HGE

ROSS, Alex
Kingdom come
82-9 RSS
A maçonaria e a implantação da República
94(469)









BLYTON, Enid
As gémeas no colégio de Santa Clara
82 LE-311.3 BLY (Juv.)



BLYTON, Enid
As gémeas voltam ao colégio
82 LE-311.3 BLY (Juv.)









GODINHO, Sérgio
O primeiro gomo da tangerina
82 LP-1 GDN (Inf.)



HOBBIE, Holly
As aventuras de Toot & Puddle
82-9 HBB (Inf.)



THOMAS, Valerie
A bruxa Mimi e o dragão da meia-noite
82 LE-34 THM (Inf.)



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sexta-feira, 16 de julho de 2010
Bom Fim-de-Semana

Pintura de René Magritte
Bom Fim-de-Semana!

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Poema da Semana
Impressão Digital


Os meus olhos são uns olhos,
e é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos,
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos, diz flores!
De tudo o mesmo se diz!
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Pelas ruas e estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente!!

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos!
Onde Sancho vê moinhos,
D.Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!


ANTÓNIO GEDEÃO

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quinta-feira, 15 de julho de 2010
Livro da Semana




As dez mulheres do industrial Rauno Rämekorpi





Rauno Rämekorpi é um industrial finlandês que festeja o seu sexagésimo aniversário rodeado de amigos, que chegam à sua casa carregados de ofertas, bebidas e ramos de flores.
Sendo a sua esposa Annikki alérgica ao pólen, Ranno decide oferecer as flores e as iguarias que sobraram às recentes e antigas amantes.
Com o apoio de um motorista de táxi, o industrial inicia uma viagem alucinante, que o vai levar dos braços de uma mulher para os de outra, onde se sucedem diversas peripécias com um final feliz.
Pela a ocasião das festa de fim de ano, Rauno disfarçado de Pai Natal, decide repetir a digressão, mas todas estas mulheres preparam-se para a vingança.
Este romance de Arto Paasilinna é considerado nos países nórdicos, um livro de culto.
Arto Paasilinna, nasceu na Finlândia em 1942, de origens humildes, foi lenhador, operário agricola, jornalista e por fim tornou-se um grande romancista finlandês.


Pode encontrar este livro na sua biblioteca com a classificação 82 LE-3 PSL

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quarta-feira, 14 de julho de 2010
Psht, ó chefe
Um dos problemas das férias - e não o menos grave - é que o nosso contacto com empregados de café tende a aumentar. Há mais tempo de permanência em esplanadas, e o convívio com aquele tipo de profissional pode causar danos irreversíveis na nossa auto-estima. Em primeiro lugar, faz falta um estudo sério que distinga os empregados de café quanto à sua ideologia.
Basicamente, há quatro grandes tipos de empregados de café.
Há o autoritário-platónico, que grita para dentro da cozinha ordens como «Quero uma imperial!» ou «Quero uma tosta mista!» Aquele «quero» assusta pelo que tem de exigência ríspida, mas enternece pelo modo como toma para si os desejos do cliente. Na realidade, somos nós que desejamos a tosta mista, mas este empregado é o nosso ponta-de-lança na cozinha. E está a dizer-nos que vai disputar a nossa tosta ao cozinheiro com o mesmo empenho que teria se fosse ele a desejá-la. Trata-se, porém, de um desejo platónico, porque o empregado sabe que, embora deseje a tosta mista com a mesma intensidade que o cliente, quem acaba por comê-la somos nós. Vejam como há mais drama nisto do que parece à primeira vista. Estou convencido de que, se Shakespeare fosse vivo hoje, todas as suas tragédias se passariam em snack-bares.
Há, também, o empregado pueril. É o que exclama «Dá uma bifana!» ou «Dá molotov!». A doçura inocente da ordem é tal que não podemos deixar de pensar que se trata de uma versão abreviada de «Dá uma bifana ao bebé!» ou «Dá molotov ao menino!»
E isso também enternece, evidentemente.
Há ainda, o empregado voyeur. Este dirige-se ao pessoal da cozinha brandando «Olha o bitoque!» ou «Olha a meia de leite!»
É, no fundo, um homem que comtempla. Pousa o olhar sobre um prato de tremoços como Alberto Caeiro o pousava sobre os rios e sobre as flores - só que com mais poesia.
E há, finalmente, o empregado escapista. É aquele que transforma os nossos pedidos em ordens do tipo «Sai uma sandes de carne assada!». Este empregado está interssado apenas na saída do nosso pedido, para que ele se presentifique o mais rapidamente possível à nossa frente. Escuso dizer como esta urgência é enternecedora.
Perante isto, é inevitável que o cliente sinta que não merece ser servido por empregados que denotam este nível de abnegação.
Mas não é só na dedicação à causa que nos sentimos inferiorizados perante estes profissionais. Há toda uma superioridade linguística que também achincalha. Na maior parte dos casos, os empregados de café corrigem subtilmente o fraseado dos nossos pedidos.
Quem me dera ter um euro por cada vez que mantive este diálogo com um empregado:
Eu: Queria um café.
Ele: Deseja uma bica?
Repare-se que, na minha frase, nem uma palavra se aproveita.
É impossivel não sentir embaraço por termos dito que queríamos um café quando, na verdade, o que se passa é que desejamos uma bica. Ou o Verão acaba depressa ou vou precisar de terapia.


Ricardo Araújo Pereira in Boca do Inferno


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terça-feira, 13 de julho de 2010
Novidades de Livros




WALSER, Robert
Os mirmãos Tanner
82 LE-3 WLS


FRANCÉS, Victoria
Favole
82-9 FRN


JORDAN, Toni
Tudo conta
82 LE-3 JRD








SMITH, Clark Ashton
A espada de Zagan
82 LE-311.3 SMT (Juv.)



FERNANDES, Francisco
O enigma da casa das mudas
82 LP-3 FRN (Juv.)









MARTINS, Isabel Minhós
A manta: uma história aos quadradinhos (de tecido)
82 LP-34 MRT (Inf.)



SILVERSTEIN, Shel
Quem quer um rinoceronte barato?
82 LE-34 SLV (Inf.)



HOMEM, Maria Aurora Carvalho
Marta, Xispas e a gruta misteriosa
82 LP-34 HMN (Inf.)












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sexta-feira, 9 de julho de 2010
Bom fim-de-semana!
"O Grito"
E. Munch.
1963-1944

Os funcionários da Biblioteca Municipal desejam a todos os utilizadores um bom fim-de-semana!

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Poema da Semana
BIOGRAFIA

Não pegues na colher com a mão esquerda.
Não ponhas os cotovelos na mesa.
Dobra bem o guardanapo.
Isso, para começar.

Extraia a raiz quadrada de três mil trezentos e treze.
Onde fica o Tanganica? Em que ano nasceu Cervantes?
Dou-lhe um zero em comportamento se falar com o seu colega.
Isso, para continuar.

Parece-lhe decente que um engenheiro faça versos?
A cultura é um enfeite e o negócio é o negócio.
Se continuas com essa moça fechamos-te a porta.
Isso, para viver.

Não sejas tão louco. Sê educado. Sê correcto.
Não bebas. Não fumes. Não tussas. Não respires.
Ai, sim, não respirar! Dar o não a todos os nãos.

E descansar: morrer.

Gabriel Celaya

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quinta-feira, 8 de julho de 2010
Livro da Semana


Contos de Poe




Esta semana recomendamos "Contos de Poe", um livro direccionado a jovens e adultos.


Edgar Allan Poe, um dos maiores nomes da literatura norte-americana, é considerado percursor de diversos géneros literários tais como ficção cientifíca, policial e fantástico.


Este livro é uma adaptação, em banda desenhada, de alguns dos contos de Poe - "O escaravelho de ouro", "O método do Dr. Alcatrão e do professor Pena" e "A queda da casa de Usher"- e tem como objectivo dar a conhecer aos mais jovens o talento deste contador de histórias.


A adaptação de Denise Despeyroux é bastante teatral, utilizando um vocabulário rico e cómico; através da sua arte, Miguel Serratosa oferece-nos conjunto de ilustrações arrojadas dos contos de Edgar Poe.


Livro disponivel na Biblioteca com a cota 82-9 DSP

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Oficina de Ilustração






Com a realização desta Oficina pretende-se sensibilizar as crianças para a importância da ilustração e valorizar o papel do ilustrador na criação dos livros.



A acção decorre entre 12 e 23 de Julho, das 14h30 às 16h30 e é orientada por Catarina Saldanha.





Catarina Saldanha


Nasceu a 26.07.1970, em Lisboa. Desde cedo a sua aptidão pelo desenho e pintura foi estimulada pelos seus pais, ambos dotados para essas formas de expressão artistíca. Depois da sua formação em Design, em que pode aprofundar alguns conhecimentos e técnicas, tem vindo a desenvolver trabalhos na àrea da pintura e ilustração, realizando algumas exposições. Ao longo deste percurso a animação também fez parte da sua formação, dando-lhe oportunidade de contactar mais estreitamente com o imaginário infanto-juvenil.






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Bibliotecas de Verão
As Biblioteca de Verão estão aí! No Jardim 1.º de Maio e nas praias de Melides e Carvalhal, durante os meses de Julho e Agosto, um conjunto diversificado de livros, jornais e revistas estão à sua disposição.
Leia. Dê novos mundos ao seu mundo.




A Biblioteca no Jardim, dirigidada preferencialmente a crianças, pais e avós, funciona entre as 10h00 e as 13h00. Poderão ser realizadas acções de animação da leitura para grupos do pré - escolar, desde que previamente agendadas.






As bibliotecas nas praias funcionam das 10h00 às 17h00.

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quarta-feira, 7 de julho de 2010
RAÍZES
Uma vez um homem deitou-se, todo em cima de terra. A areia lhe servia de almofada. Dormiu toda a manhã e quando se tentou levantar não conseguiu. Queria mexer a cabeça: não foi capaz. Chamou pela mulher e pediu-lhe ajuda.
- Veja o que me está a prender a cabeça.
A mulher espreitou por baixo da nuca do marido, puxou-lhe levemente pela testa. Em vão. O homem não desgrudava do chão.
- Então, mulher? Estou amarrado?
- Não, marido, você crouo raízes.
- Raízes?
Já se juntavam as vizinhanças. E cada um puxava sentença. O homem, aborrecido, ordenou à esposa:
- Corta!
- Corta, o quê?
- Corta essa merda das raízes ou lá o que é...
A esposa puxou da faca e lançou o primeiro golpe.
Mas logo parou.
- Dói-lhe?
- Quase nem. Porquê me pergunta?
- É porque está a sair sangue.
Já ela, desistida, arrumara o facão. Ele, esgotado, pediu que alguém o destroncasse dali. Me ajudem, suplicou. Juntaram uns tantos, gentes da terra. Aquilo era assunto de camponês. Começaram a escavar o chão, em volta. Mas as raízes que saíam da cabeça desciam mais fundo que se podia imaginar. Covaram o tamanho de um homem e elas continuvam para o fundo. Escavaram mais que as fundações de uma montanha e não se vislumbrava o fim das radiculações.
- Me tirem daqui, gemia o homem, já noite.
Revesaram-se os homens, cada um com sua pá mais uma enxada. Retiraram toneladas de chão, vazaram a fundura de um buraco que nunca ninguém vira. E laborou-se semanas e meses. Mas as raízes não só não se extinguiam como ramificavam em mais redes e novas radículas. Até que já um alguém, sabedor de planetas, disse:
- As raízes dessa cabeça dão a volta ao mundo.
E desistiram. Um por um se retiraram. A mulher, dia seguinte, chamou os sábios. Que iria ela fazer para desprender o homem da inteira terra? Pode-se tirar toda a terra, sacudir as remanascentes areias, disse um. Mas um outro argumentou: assim teríamos que transmudar o planeta todo inteiro, acumular um monte de terra do tamanho da terra. E o enraizado, o que se faria dele e de todas suas raízes? Até que falou o mais velho e disse:
- A cabeça dele tem que ser transferida.
E para onde, santos deuses? Se entreolharam todos, aguadando pelo parecer do mais velho.
- Vamos plantar a cabeça dele lá!
E apontou para cima, para as celestiais alturas. Os outros devolveram a estranheza. Que queria o velho dizer?
- Lá, na lua.
E foi assim que, por estreia, um homem passou a andar com a cabeça na lua. Nesse dia nasceu o primeiro poeta.


Mia Couto in Contos do nascer da terra

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terça-feira, 6 de julho de 2010
MATILDE ROSA ARAÚJO 1921 - 2010
Encontro na Biblioteca Municipal de Grândola - Dezembro de 2004
VIDA
" - Mãe! O mundo é mau,
Torna a flor num lodo
E o pássaro num verme,
E eu não sabia...
- Filha! Semeia flores no lodo,
Empresta o teu canto ao verme.
Se as tuas mãos continuarem puras
E meigo o teu coração,
Acredita que o mundo é belo.
E saberás! "

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segunda-feira, 5 de julho de 2010
NOVIDADES LIVROS



CAMILLERI, Andrea
Um sábado com os amigos
82 LE-3 CML

TRUSSONI, Danielle
Angelologia
82 LE-3 TRS

GREEN, Toby
A inquisição: o reino do medo
94 (100) GRN






VILELA, Rita
Oníris: o grande desafio
82 LP-311.3 VLL (JUV.)


VILELA, Rita
Oníris: as 7 cores de Oníris
82 LP-311.3 VLL (JUV.)


THOMPSON, Emma
Nanny Mcphee e o toque de magia
82 LE-311.3 THM (Juv.)






NEVES, Ana Leitão
O gigante e os óos desaparecidos
82 LP-34 NVS (INF.)

SOARES, Luisa Ducla
O burro de Buridan
82 LP-34 SRS (INF.)


FONSECA, Teresa
Uma amiga com mil anos: Joana descobre a história de Montemor-o-Novo
82 LP-34 FNS (INF.)












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