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Biblioteca Municipal de Grândola
Biblioteca Municipal de Grândola
Rua Dr. José Pereira Barradas 7570-281 Grândola tlf:269450080 fax:269498666 biblioteca@cm-grandola.pt
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Livro da Semana
"Por favor cuida da mamã"

de

Kyung-Sook Shin

"Chegada de uma pequena aldeia do interior à movimentada Seul, Park So-nyo, de sessenta e nove anos, é separada do marido pela multidão, numa estação de metro, e desasparece sem deixar rasto. A família inicia então uma busca frenética e deseperada por toda a cidade. Equanto discutem sobre a recompensa a oferecer a quem a encontrar, apercebem-se de que não possuem uma fotografia recente dela. Mas logo emerge uma questão muito mais importante: até que ponto conhecem essa mulher a quem chamam "mãe"?"

Este livro encontra-se disponível na Biblioteca Municipal com a cota 82 LE-3 SHN.

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terça-feira, 30 de agosto de 2011
Memória dos dias
Os dias estão quentes.
Os dias são longos.
Os dias parecem cada vez mais insuportáveis para definir.
Os dias gastam-se. Gastam-se muito. E depressa. As horas que tecem os dias é que são lentas e fragéis.
Há dias que têm a textura dos anos. Também é verdade que há dias velozes. Voam. Volatilizam-se. Perdem-se.
Queremos agarra-los, segurar seus sinais, seus cânticos, sua respiração e quando nos apercebemos já não existe.
Deles, fica a memória, no musgo sensível das aurículas e dos ventrículos, apenas um sussurro, o sal quase imperceptível das lágrimas contidas, o eco muito longe dos sorrisos verdadeiros.
Os dias somam-se.
É uma contabilidade incrível a que nos exigem.
Dos dias escrevemos as parcelas em cartas, em postais, em páginas de livros, em bocadinhos de poemas, nas imagens dos filmes a que nos associamos, de que ficamos coincidentes, somos personagens e guionistas, realizadores e produtores porque o que nos devora é o medo imenso que de nós se perca o retrato, o nome, o roteiro, os sinais.
Há dias em que cabe a história toda de uma vida, mas há vidas com muitos dias que são dias-noite, dias tão apagados, tão sem estrelas que nem se sabe se foram vidas ou se tiveram dias a dar-lhes o sentido. Que sentido? Já me perdi. Era de dias que eu falava. Não dos sentidos. Não de sentido. Os dias, todos, não têm qualquer sentido. Os sentidos não sabem nada de dias. Nem de noites.
Pulsam, os sentidos.
Respiram.
Agitam-se.
Existem.
Incendeiam-nos. Abrem-nos sulcos na pele, murcham-nos a rosa que trazíamos no olhar, o morango maduro que era a nossa boca. Outras vezes, outros dias, os sentidos fazem-nos descobrir o sentido do sol, arquivam gargalhadas e a voz do do primeiro namorado que é sempre o mesmo da história toda.
Trazem para perto o que ficou longe, misturam o tempo, perspectivam a eternidade, noutras escalas, noutras paisagens.
Os dias perdem-se.
Vou enviar o meu último sorriso e pôr um anúncio nas páginas dos jornais:
"Perderam-se alguns dias que podiam ter sido mais importantes.
São irrecuperáveis, sabe-se agora. Mas tinham um valor imenso.
Dão-se alvíssaras a quem os encontrar."
Sobre esses dias perdidos escreverei o poema. Reencontrarei o pretexto.
Vou riscar a palavra calendário nos dias que vierem.
Escreverei, não a data mas Dia.
Apenas.
E a vida será como um rio: escorrendo lenta e naturalmente para a foz.


Maria Rosa Colaço in "Há outras mulheres assim"

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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Tolerância de Ponto
Informam-se todos os utilizadores que, devido à tolerância de ponto concedida aos trabalhadores da Autarquia, a Biblioteca Municipal de Grândola irá estar encerrada no dia 29 de Agosto de 2011, a partir das 13 horas.

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Oficina de Leitura
De 30 de Agostro a 2 de Setembro realizar-se-á na Biblioteca Municipal de Grândola, uma Oficina de Leitura destinada a crianças com mais de 6 anos, das 14:30 às 16.30 horas.

As inscrições podem ser feitas até ao dia 30 de Agosto por mail; animbilioteca.grandola@gmail.com; facebook ou via telefone, 269 450 082.

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Biblioteca Itinerante







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sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Bom Fim-de-Semana
Édouard Léon Cortés

Os funcionários da Biblioteca Municipal desejam a todos os utilizadores um excelente fim-de-semana.
Poema da Semana
RUA WATT

Quando lá 'tive
Pela primeira vez
Era em Fevereiro
Mas não havia frio
Vadios dormitavam
Nas grelhas fumegantes
E os moinhos giravam
Na noite murmurante
Eu estava com o Raymond
que me disse meu mono
Tens de acordar
não há nada como a rua Watt

Uma rua de colunas em fila
Onde nunca ninguém passa
Há somente no ar
Linhas de comboio
Onde se cruzam lanternas
Levadas por gente baixa
Com tacões que batem
Nas áleas gradeadas
Nas colunas de bronze
Trazidas do Partenon
Chamam-lhe rua Watt
Por ser a mais vate

É uma rua aberta
É uma rua coberta
É uma rua deserta
Que sobe nas duas pontas
Gatos descoloridos
Esgueiram-se a direito
Sem nunca se deter
Como lá nunca chove
De dia é menos giros
Então vai-se de noite
Pra arrastar as sapatas
Por cima da rua Watt

Há ruas badaladas
Sem grande coisa ter
Umas ruas sem caráter
Um tudo nada putanheiras
Mas nos confins de Paris
Ao pé da gare de Austerlitz
Preguiçosa e virgem
Repousa a rua Watt
Um dia hei-de comprar
Alguns metros quadrados
Pra plantar uns tomates
No fundo da rua Watt.

Boris Vian in "Canções e Poemas"

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quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Filme da Semana
Julie e Julia

de

Nora Ephron

"Uma lenda da culinária vai mudar para sempre a receita da vida de uma jovem empregada de escritório. Julie e Julia conta a história verídica de como a vida e o livro de cozinha de Julia Child inspirou Julie Powell em início de carreira, a preparar 524 receitas em 365 dias e apresentar a uma nova geração a magia da cozinha francesa."

Este DVD encontra-se disponível para visionamento na Biblioteca Municipal.

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Livro da Semana
"As mais belas coisas do mundo"

de

Valter Hugo Mãe

"Esta é a história de um menino que, desafiado pelo avô, procura conhecer os mistérios da vida.
Avô e neto vivem num jogo sem fim de perguntas e respostas, enigmas e soluções, procurando, adivinhando e aprendendo sempre. Certo dia, o menino fica sem resposta quando o avô lhe pergunta:
Quais são para ti as coisas mais belas do mundo?
São as coisas de verdade, como aquelas que pensamos, sentimos e sonhamos?"

Este livro encontra-se disponível na Biblioteca Municipal.

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terça-feira, 23 de agosto de 2011
Biblioteca Itinerante


De 24 a 29 de Agosto, a Biblioteca Municipal de Grândola irá estar presente na Feira de Agosto, Turismo e Ambiente, para apresentar um novo projecto que arrancará a partir de Setembro - A BIBLIOTECA ITINERANTE.

O principal objectivo desta iniciativa, consiste em disponibilizar a toda a população do Concelho de Grândola, os serviços da Biblioteca Municipal - consulta local (de livros, revistas e jornais), empréstimo domiciliário, acesso à internet, consulta do catálogo colectivo da rede concelhia e promoção do livro e da leitura.

Ficamos à vossa espera!


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O pássaro Chica-Amorica
Era uma vez um pássaro chamado Chica-Amorica. Tinha o ninho e três filhos no alto do carvalho. E cantava, feliz da vida. Chegou entâo a raposa e perguntou:
- Quem está a cantar em tão alto carvalho?
E logo o pássaro respondeu:
- É Chica-Amorica e os seus filhos três.
E disse a raposa:
- Pois deita para cá um, senão alço o rabo, corto o carvalho e como Chica-Amorica e seus filhos três. Cheia de medo, a avezinha deitou um filho fora do ninho e toda a noite chorou. No dia seguinte, voltou a raposa e perguntou:
- Quem está a chorar em tão alto carvalho?
E logo Chica-Amorica respondeu:
- É Chica-Amorica com os seus filhos dois.
E a raposa tornou:
- Pois deita cá um , senão alço o rebo, corto o carvalho e como Chica-Amorica e seu filhos dois.
Sem parar de chorar, a avezinha deitou outro filho para fora do ninho.
Pouco depois passou por ali o Mocho que era compadre de Chica-Amorica. Ao ouvir chorar, perguntou:
- Quem está a chorar no alto deste carvalho?:
E veio a resposta:
- É Chica-Amorica e seu filho único. Passou por aqui a raposa e disse que cortava o carvalho com o rabo e que me engolia junto com os meus filhos. Já levou dois e não deve tardar para levar o último.
O Mocho disse-lhe que não se afligisse e ensinou as respostas que devia dar à raposa. E ficou por ali a passear até que apareceu a raposa. E logo veio a pergunta, mas Chica-Amorica tinha aprendido a lição e respondeu que rabo de raposa não corta carvalho. Irritada a raposa gritou:
- Isso são conselhos do teu compadre!
O Mocho apareceu e disse:
- Pois.
A raposa disse então ao Mocho que pusesse um pé no chão e outro no ar. Este assim fez e disse:
- Pois!
Era o que a raposa queria. Engoliu o Mocho e desatou a correr enquanto gritava:
- Mocho comi! Mocho comi!
O Mocho, que tinha ficado inteiro na boca da apressada raposa, gritou:
- Berra mais alto para a mina família te ouvir.
A raposa abriu muito a boca, o Mocho fugiu e gritou:
- A outro, a outro que não a mim!

Natércia Rocha in "Contos e lendas de Portugal"

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Novidades Livros
     

FERRANDEZ, Jacques
Marraquexe: percursos
908 FRR

CRÉCY, Nicolas de
Florença: percursos
908 CRC



OBAMA, Barack
De ti eu canto: carta às minhas filhas
82 LE-34 BMA (Inf.)

LE THANH, Taï-Marc
Baba Yaga
82 LE-34 THN (Inf.)

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sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Bom Fim-de-Semana
Edgar Degas - "Blue Dancers"

Bom Fim-de-Semana para todos os utilizadores da Biblioteca Municipal
Poema da Semana
Por delicadeza

Bailarina fui
Mas nunca dancei
Em frente das grades
Só três passos dei

Tão breve o começo
Tão cedo negado
Dancei no avesso
Do tempo bailado

Dançarina fui
Mas nunca bailei
Deixei-me ficar
Na prisão do rei

Onde o mar aberto
E o tempo lavado -
Perdi-me tão perto
Do jardim buscado

Bailarina fui
Mas nunca bailei
Minha vida toda
Como cega errei

Minha vida atada
Nunca a desatei
Como Rimbaud disse
Também eu direi:

"Juventude ociosa
Por tudo iludida
Por delicadeza
Perdi minha vida"

Sophia de Mello Breyner Andresen,
in "O nome das coisas"

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quinta-feira, 18 de agosto de 2011
DVD da Semana





A Canção mais Triste do Mundo




Um Filme de




Guy Maddin










"1933. A Grande Depressão está no seu auge. Quando Chester Kent, um falhado empresário da Brodway e Narcissa, a sua namorada amnésica, regressam à terra natal de Chester, vão-se deparar com uma espinhosa reunião familiar e um caótico concurso para encontrar a canção mais triste do mundo, organizado pela cervejaria local, dirigida pela amarga Lady Port-Huntley. Complexas relações começam rapidamente a revelar-se: no passado, Chester e Lady Port-Huntley foram amntes, relação que também envolvia o pai de Chester, Fyodor. Os três estiveram envolvidos no acidente de carro que levou à amputação de ambas as pernas de Lady Port-Huntley. Ao mesmo tempo, Roderick, irmão de Chester, enfrenta o abandono da sua mulher. Não demora muito para percebermos que essa mulher é Narcissa. Sendo do três Kent músicos, rapidamente se deixam envolver na busca da canção mais triste do mundo..."



Este DVD encontra-se disponível, para visionamento, na Biblioteca Municipal.

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Livro da Semana





Dias de coragem e de amizade

de

Nuno Tiago Pinto









     "O fundamental neste livro é que, através daquilo que os protagonistas descrevem, nós, os portugueses de hoje, temos acesso à história dos anos da guerra como ela ficou gravada naqueles que a fizeram. Não é pouca coisa."

Carlos de Matos Gomes, in Prefácio

     "O médico Abílio Alves esteve um ano e meio em Naqmbuangongo, Angola, a tentar salvar vidas, com poucos meios e sob ataques constantes. António Lobato foi o primeiro piloto a despenhar-se na Guiné e aquele que mais tempo esteve preso nas mãos do PAIGC. Maria Arminda Lopes Pereira dos Santos pertenceu ao primeiro grupo de enfermeiras pára-quedistas. António José Freire foi atingido, em Angola, por um estilhaço que lhe arrancou uma parte do crânio. Ao todo, foi operado 18 vezes à cabeça. José Penedo decidiu arriscar a vida ao volante de um Unimog para a companhia não ficar uma noite inteira sem água. Sofreu um acidente e ficou paraplégico. António Calvinho não esquece o dia em que foi retirado pelos colegas de um veículo em chamas, em Moçambique.

     O jornalista Nuno Tiago Pinto ouviu cada um dos 50 testemunhos que fazem parte deste livro e captou o momento mais dramático da sua experiência nos três cenários de guerra colonial - Angola, Guiné e Moçambique. São relatos impressionantes, feitos na primeira pessoa, de actos de  coragem e de amizade, de medo, heroísmo, desespero, de soldados, médicos, enfremeiras que combateram, de diferentes formas, em nome da pátria.

     Ao todo, foram mobilizados para os três teatros de guerra entre 800 mil e um milhão de portugueses. Destes, mais de nove mil morreram. Os outros regressaram a casa com marcas físicas ou psicológicas de uma guerra que os transformou e marcou para sempre. Esta é a sua história."

Este livro encontra-se disponível na Biblioteca Municipal.

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terça-feira, 16 de agosto de 2011
TORAH
     Jeová achou que era altura de pôr as coisas no seu devido lugar. Lá de cima, acenou a Moisés.
     Moisés foi logo, tropeçando por vezes nas lajes e evitando o mais possível a sarça ardente.
     Quando chegou ao cimo, tiveram os dois uma conferência, cimeira, claro. A primeira, se não estou em erro.
     No dia seguinte Moisés desceu. Trazia umas tábuas debaixo do braço. Eram a Lei.
     Olhou em volta, viu o seu povo aglomerado, atento, e disse para todos os que estavam à espera:
     - Está aqui tudo escrito. Tudo. É assim mesmo e não há qualquer dúvida. Quem não quiser, que se vá embora. Já.
     Alguns foram.
     Então começou o serviço militar obrigatório e fez-se o primeiro discurso patriótico.
     Depois disso é o que se vê.

Mário-Henrique Leiria, in "Contos do Gin-Tonic" 

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sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Bom Fim-de-Semana
Rui Samuel - Pintor Angolano


Os Funcionários da Biblioteca Municipal desejam um Bom Fim-de-Semana a todos os Utilizadores
Poema da Semana
INTIMIDAR O POEMA A SER RAIZ

era um poema lateral aos sentidos.
ganhava formato ébrio
ao nem ser escrito.
longe dos pensamentos
imitava uma pedra
[aí as palavras drummondeavam].
longe das lógicas
- com tendência vagabunda -
o poema driblava lados avessos
de noites
e animais
[aqui as sílabas manoelizam, barrentas].
mas uma estrela nunca brilha
tão solitária;
encarece-se também de luuandinar,
miar à couto,
esvair-se para guimarães...
era um poema carente de afectar-se
a ramos gracilianos.
assim alcançava
o estatuto
de raiz.
cheirando, emitia brilhos tímidos
- fosse um pirilampo.

Ondjaki, in "Materiais para confecção de um espanador de tristezas"

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quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Filme da Semana






Até ao Fim

Um filme de

Scott McGehee e David Siegel









"Até ao Fim, um grande êxito no Festival de Cannes e no Festival Sundance de 2000, mergulha na psicologia do engano e ultrapassa os limites do clássico thriller de suspense numa nova e provocante paisagem. Uma mulher (Tilda Swinton) encobre um assassínio com o fim de proteger o seu filho adolescente de ser implicado. Mas alguém sabe. A informação vale muito dinheiro, mas o preço que o silêncio silêncio vale ainda é mais caro. Cada decisão que ela toma para esconder as provas acrescenta mais um ameaçador elemento a este aterrador jogo do gato e do rato."

Este DVD encontra-se disponível para visionamento na Biblioteca Municipal

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Livro da Semana





Por ti, resistirei

de

Júlio Magalhães










 
     "Carlos e Nicole conheceram-se nas ruas de Paris. As tropas alemãs avançavam em passo forte e determinado, mas todos acreditavam que a capital francesa estava a salvo da loucura de Adolf Hitler. Enaganavam-se. Em poucas semanas, as tropas nazis estavam às portas de Paris e milhares de refugiados procuravam salvação.

     Nicole encontrou-a em Bordéus pelas mãos do embaixador Aristides de Sousa Mendes que lhe entregou um visto para chegar até Portugal, onde finalmente cairia nos braços do seu amado. Longe da guerra, longe do perigo, longe do estigma de ser judia, seria finalmente feliz.

     Mas há preconceitos que são difíceis de quebrar e mais uma vez os dois amantes são obrigados a seguir caminhos diferentes. Carlos fica em Lisboa, entre os negócios do pai, um homem influente na sociedade salazarista, e a doença da mãe. Nicole parte para Londres, uma cidade que vive dias dramáticos sob a ameaça de ser bombardeada pela aviação alemã. Participa no esforço de guerra da melhor forma que sabe, vestindo a farda de enfermeira, pondo em risco a sua vida para ajudar os outros, na esperança de conseguir esquecer Carlos. Contudo no meio dos escombros da Segunda Guerra Mundial há um amor capaz de resistir a tudo."

Este livro encontra-se disponível na Biblioteca Municipal

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terça-feira, 9 de agosto de 2011
O REI DA SELVA
-Quem é o Rei da Selva? - rugiu o leão.
- És tu, Leão! - gritaram as zebras, esforçando-se por permanecer invisíveis no meio das ervas altas.
Sacudindo a sua juba, o leão rugiu de novo: - Quem é o Rei da Selva?
-És tu, Alteza! - responderam as girafas, vergando o seu longo pescoço até ao chão.
O leão, mostrando os seus dentes brancos e afiados, voltou a rugir: - Quem é o Rei da Selva?
- És tu, Majestade! - concordaram as gazelas.
- Excelência! - murmurou o mais pequeno dos animais, espreitando das sombras.
- Maravilha! - ecoou o mais pequeno de todos os bichinhos, temendo ser esmagado.
O leão encontrou então um elefante especado no meio do caminho e rugiu-lhe:
- Quem é o Rei da Selva?
O elefante esticou a tromba, agarrou o leão pelo rabo, fê-lo rodopiar três vezes à volta da sua cabeça e atirou-o para dentro de um espinheiro; em seguida, retirou-o de lá, arrastou-o e atirou-o para o rio.
Pisado e a sangrar, tonto e encharcado, o leão saiu do rio, rastejando... : - Não é preciso ficar irritado - grunhiu - lá porque não sabes a resposta!

Adaptação de Celeste Pereira, in "Contos Divertidos"

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segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Novidades Livros



MAGALHÃES, Júlio
Por ti, resistirei
82 LP-3
MGL

JOHNSON, Charles
História Geral dos Piratas
930.85
JHN

MÓNICA, Maria Filomena
A Morte
82 LP-4
MNC

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sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Bom Fim-de-Semana
Pablo Picasso - "As Meninas de Avinhão", 1907


Bom Fim-de-Semana para todos os utilizadores da Biblioteca Municipal
Poema da Semana
POST SCRIPTUM

Afasto de ti com
raiva surda

o corpo
as mãos
o pensamento

e apago secreta
uma a uma
as velas acesas do teu vento

liberta ponho o corpo
em seu ligar
visto a cidade
penteio um rio sedento

penso ganhar
e fujo
e não entendo

penso dormir
mas não consigo
o tempo

E cede-se o vazio
sobre o meu ventre

e segue-se a saudade
em seu sustento

E digo este meu vício
dos teus olhos
de um verde tão lento
muito lento

Se penso que te deixo
já te quero

Se penso que recuso
já te anseio

Se penso que te odeio
já te espero

e torno a oferecer-te
o que receio

Se penso que me calo
já te grito

Se penso que me escondo
já me ofereço

Se penso que  não sinto
é porque minto

Se pensas que me olhas
já estremeço

Maria Teresa Horta, in "Poesia Reunida"

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Livro da Semana





Sombras Queimadas

de

Kamila Shamsie










 

"9 de Agosto de 1945. Nagasáqui. Hiroko Tanaka, de 21 anos, embrulhada num quimono com três grous pretos estampados nas costas, está apaixonada pelo homem com quem vai casar, Konrad Weiss. Num milésimo de segundo, o mundo fica branco. No entorpecimento consequente ao explodir da bomba que oblitera tudo o que ela conheceu, apenas restam as queimaduras em forma de ave nas suas costas, numa memória indelével do mundo que perdeu.

Dois anos depois, procurando recomeçar, Hiroko viaja para Deli. Vai conhecer a meia-irmã de Konrad, Elizabeth, o marido desta, James Burton, e o empregado deles, Sajjad Ashraf. Com o passar dos anos, outros lares substituem os que ficaram para trás e as velhas guerras são ultrapassadas perante os novos conflitos. Mas as sombras da história - pessoais, políticas - alongam-se sobre os mundos entrelaçados dos Burton, dos Ashraf e dos Tanaka quando são transportados do Paquistão para Nova Iorque, e, no espantoso clímax da história, para o Afeganistão no pós- 11 de Setembro." 

Este livro encontra-se disponível na Biblioteca Municipal, com a cota 82 LE-3 SHM.

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terça-feira, 2 de agosto de 2011
Uma vez mais
     Uma vez mais, chegadas as férias, corria à Estação Nova a tomar o comboio para o Porto. Sem tirar a capa e a batina, farda de estudante pobre para bater durante todo o curso, já que o fato coçado, herdado do irmão, se guardava para a futriquice da Invicta. Dinheiro parco, terceira classe. Ao fim da tarde. Comboio quase vazio, apesar das vésperas de Natal.
     Escolhi uma bancada sem ninguém. Não me apetecia companhia, raposinhos de sabe-se-lá-quem ou bióxido de magala ajoujado de mochilas e vozeirões de caserna.
     - Está livre? - disse a moça mais que perguntou, atirando a maleta para cima do banco em frente e sentando-se a meu lado, num suspiro.
     Olheiras roxas, face macilenta mais bonita na moldura negra do cabelo ondado, corpinho magro, franzino.
     - Cansada?
     - Levantada desde as seis, trabalhar desde as oito até quase agora... Deus! Sem tempo de levar uma bucha à boca, para poder ter uns dias de feriado com os meus pais...
     - Em que trabalhas?
     Mediu-me.
     - Estudante. Boa vida. Canté!... Eu? Costureira de alfaiate. Casear todo o dia.
     - Quem te disse que era boa vida?
     - Universidade? Só quem tem dinheiro.
     - O meu pai tem dificuldades em aguentar-me nos estudos...
     - Se ao menos estudasses...
     - Estudo.
     - Não és como esses que só querem laró e mulheres?
     - E dinheiro para isso?
     - Não acredito. Sabes quanto o meu patrão me pagou hoje, o forreta? Quarenta escudos. Vê lá.
    És mais rica do que eu - e mostrei-lhe na palma da mão os parcos cinco escudos, troco do bilhete de comboio.
     - Só isso?
     - Só isto.
     - Pensei que...
     - A pensar morreu uma burra - ri.
     Estás a chamar-me burra?
     - Estou.
     Desatou a rir também, com gosto:
     - Tu és baril.
     - E tu também.
     Olhou-me mais profundamente, um olhar prolongado, pensando, das olheiras cansadas. De repente, abre a mala e tira de lá uma sandes:
     - Toma - oferece-me.
     - Não, obrigado. Come tu.
     - Toma, meu parvo - insiste. - Eu tenho aqui outra. Fazes-me companhia?
     Aceitei. Comemos devagar, a boca cheia, calados, olhando-nos nos olhos e sorrindo.
     Quando acabámos, ela suspirou outra vez e encostou a cabeça no meu ombro:
     - Ah! - disse numa voz muito fatigada. E adormeceu.
     Todo o caminho dormiu, todo o caminho não me mexi para a não acordar, contente de lhe sentir o calor, o arfar do peito, a respiração, o cheiro, como se ela fosse minha namorada.
     Em Gaia levantou-se, alisou o cabelo, pegou na mala:
     - Adeus. Tenho de ir andando.
     - Adeus.
     Fui à janela vê-la sair. O comboio recomeçou a marcha para Campanhã. No cais, ela virou-se e soprou-me um beijo na ponta dos dedos. Não a vi nunca mais.

Fernando Campos, in "Contos da Feira"

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segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Novidades de Livros

"Às minhas filhas, com amor...", de Fawzia Koofi
82 LE-3 KFI

"O Grito da Preguiça", de Sam Savage
82 LE-3 SVG



"O ladrão de galinhas", de Béatrice Rodriguez
82 LE RDR (Inf.)

"Dançar nas nuvens", de Vanina Starkoff
82 LE-34 STR (Inf.)

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