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Biblioteca Municipal de Grândola
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terça-feira, 30 de abril de 2013
A redacção da vaca
"A história da redacção da vaca é um daqueles mitos urbanos envolvidos em mistério - como boa parte das histórias que passam pela mesa de trabalho d'O Homem que mordeu o Cão. Num lugar surgem descritos certos pormenores de localização e autoria que, noutro lugar, são já completamente diferentes. Foi exactamente desta maneira que o caso chegou às minhas mãos: como uma redacção escrita por um aluno francês com uma mente algo... à deriva, digamos assim.

«O pássaro de que vos vou falar é o mocho. O mocho não vê nada de dia, e à noite é mais cego que uma toupeira. Não sei grande coisa do mocho, por isso vou continuar com outro animal que vou escolher - a vaca.

A vaca é um mamífero. A vaca tem seis lados: o da direita, o da esquerda, o de cima, o de baixo, o de trás, que tem um rabo, o qual tem um pincel pendurado. Com este pincel espantam-se as moscas para que não caiam no leite. A cabeça serve para que lhe saiam os cornos e também porque a boca tem de estar nalgum lado. Os cornos são para a vaca combater com eles. Pela parte de baixo tem leite, está equipada para que se possa ordenhar. Quando se ordenha, o leite vem e não pára nunca. Como é que se desenrasca, a vaca? Nunca compreendi, mas o leite sai cada vez com mais abundância.

O marido da vaca é o boi. O boi não é mamífero. A vaca não come muito, mas o que come, come duas vezes, ou seja: já tem bastante. Quando tem fome, muge; quando não diz nada, é porque está cheia de erva por dentro. As suas patas chegam ao chão. A vaca tem o olfacto muito desenvolvido, pelo que se pode cheirá-la desde muito longe.

É por isso que o ar do campo é tão puro.»"






Nuno Markl, in "O Homem que mordeu o Cão"

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segunda-feira, 29 de abril de 2013
Cartaz de Cinema - Maio 2013

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Inauguração da Exposição "Sérgio Godinho e as 40 Ilustrações"






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sexta-feira, 26 de abril de 2013
Bom Fim-de-Semana!

Ilustração de João Caetano

Os funcionários da B.M.G. desejam a todos os utilizadores um agradável fim-de-semana!

Pema da Semana
Brasil

Passo numa estrada brasileira,
feita de Sol por cima
e de calor por baixo.
E tenho aqui à beira
vistos do carro, da janela,
meninos que não sabem
nada do clima,
se é Verão ou fogo,
se é maldade,
deixá-los à torreira,
a fingir que vivem
num baralho de cartas
a que chamam a favela.

Depois abro os olhos acordo,
sonhei, perdi-me, vi mal.
Está um frio de rachar,
e estes meninos que vejo
são olhos de muita tristeza,
e estamos em Portugal.

Alexandre Honrado in "Palavras para Lavras"

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quarta-feira, 24 de abril de 2013
Uma vida difícil
     O conde Drácula abriu a porta do apartamento. Lá fora, o sino da igreja dava seis da manhã. O dia começava a clarear. Lívido, pálido como uma vela, o conde entrou na pequena sala. Vinha estafado, o cabelo em desalinho, o fato rasgado, o suor alagando-lhe a testa ossuda. Tivera uma noite dos diabos. A vida cada vez estava mais difícil.
     Aproximou-se da mesa de jantar e pousou a garrafa de água das Pedras. Ouviu um ruído de panelas na cozinha. Lá dentro, a mulher preparava o jantar. Chamou-a:
     - Vampira!
     Mas ela não respondeu. O conde desistiu. Tirou a casaca e deitou-se dentro do caixão. Bem precisava de algum repouso. Desdobrou o jornal da manhã e começou a ler. Raio de vida! Todos os dias as coisas pioravam! Os preços aumentavam, os impostos aumentavam e as pessoas cada vez tinham menos dinheiro para comer. E isso, para ele e para a sua família, constituía um drama. O sangue que actualmente extraía das vítimas era da pior qualidade. Por um lado, tinha muito menos vitaminas devido à má alimentação. Por outro, vinha conspurcado de antibióticos, fumo, droga e álcool. Noutros tempos, numa noite de trabalho, enchia facilmente uma garrafa de litro que dava bem para ele, para a mulher e para o filho, o Draculino. Agora, nem conseguia encher meia garrafa de água das Pedras. E para isso tinha de chupar o dobro das pessoas de antigamente! Para além da fome que começava a perturbar o seu lar, havia o perigo da qualidade do sangue, quase sempre de 2ª ou 3ª. Daí provinha o seu estado de fraqueza e inúmeros incómodos digestivos de que ele e a família sofriam.
     Já nem sabia se a culpa de tudo aquilo era do Governo ou da conjuntura internacional. Estava quase a adormecer quando Vampira entrou com a garrafinha na mão. Desabrida, como sempre, gritou-lhe:
     - Olha lá, tu andas a brincar com a gente?! Achas que meia garrafa chega para te sustentar a ti e ao teu filho? Para já não falar em mim! Não me digas que não consegues arranjar mais! Parece-me que não trabalhas o suficiente para sustentar uma família! Tu deves passar as noites a discutir política pelos jazigos, é o que é!
     O conde Drácula olhou-a com olhos mortiços. Já não tinha paciência para discutir. Apesar de tudo, ia a responder quando irrompeu pelo quarto o filho, o Draculino:
     - Papá, papá, veja esta redacção!
     Mais outro fadário para o conde. Desde que o país se democratizara, o filho frequentava a escola primária. Como pai e como conde, era obrigado a rever os exercícios do filho. Pegou no caderno e começou a ler. De súbito, ergueu-se do caixão e, sem mais preâmbulos, deu uma estrondosa bofetada na criança. Esta levou a mão à boca. Um dos caninos salientes partira-se na ponta. Vampira entrepôs-se entre o pai e o filho e gritou:
     - O senhor é um anormal! Um assassino! Isto são modos de educar a criança?! Não sabe que os mais recentes métodos pedagógicos proíbem a violência?! Além disso, você partiu-lhe um dente fundamental para o exercício futuro da sua profissão!
     O conde Drácula esbracejava, agitando o caderno na mão:
     - Esse seu filho é uma besta! Julga que ainda temos castelo na Transilvânia! Estou farto de ser explorado por vocês os dois, não aguento mais!
     Vampira retorquiu:
     - Mas que fez o miúdo, homem?!
     O conde pôs-lhe a redacção na frente do nariz:
     - Veja. E cheire, cheire! E diga-me se não tenho razão! Essa criança anda a esbanjar o que tanto me custa a arranjar! Já viu que, em vez de fazer os exercícios com tinta azul, sua excelência, o seu filho, utiliza o sangue que trago para casa?!

In "Pão com manteiga"

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terça-feira, 23 de abril de 2013
Tolerância de Ponto - 24 de Abril

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23 de Abril - Dia Mundial do Livro


Livro da Semana

O legado de Nhô Filili

de

Luís Urgais


     "Filho de minhotos, João Bento Rodrigues - que ficaria conhecido por Filili - nasceu na ilha do Fogo no ano da abolição da escravatura. O decreto não bastou, porém, para que se extinguisse o tráfico, até porque os negreiros tinham a cumplicidade das autoridades; e foi assim que Maguika, capturada nas matas da Guiné, se tornou propriedade de Nhô Filili, trazida por um negociante desejoso de, com presentes, o conquistar para genro. Contudo, assim que pôs os olhos na negrinha, João Bento Rodrigues já não voltou a olhar para outra mulher, afrontando a elite da capital ao entrar na igreja de braço dado com a escrava e, mais tarde, unindo-se a ela pelo santo matrimónio, desafiando preconceitos e convenções. Mas, se é verdade que as pretendentes não gostaram de se saber preteridas, quem mais sofreu foi Leila, a concubina com quem Filili mantinha laços íntimos e que, de repente, se viu sozinha na Cidade Velha com um segredo.    O passado tem, no entanto, maneiras de regressar quando menos se espera. E, às vezes, ainda bem.
     Tendo por cenário o arquipélago de Cabo Verde entre a segunda metade do século XIX e a primeira do século XX, O legado de Nhô Filili é o retrato de uma África bela e sedutora, mas também dura e miserável, e bem assim uma metáfora da história da mestiçagem biológica e cultural e da génese dos movimentos pela independência das Colónias."

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segunda-feira, 22 de abril de 2013
Sérgio Godinho e as 40 ilustrações - Inauguração da Exposição

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sexta-feira, 19 de abril de 2013
Bom Fim de Semana

ilustrações de Alex Gozblau, in "Sérgio Godinho e as 40 ilustrações"



Bom fim de semana

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Poema da Semana
Balada da Rita

Disseram-me um dia "Rita (põe-te em guarda)
aviso-te, a vida é dura (põe-te em guarda)
cerra os dois punhos e andou (põe-te em guarda)"
e eu disse adeus à desdita
e lancei mãos à aventura
e ainda aqui está quem falou

Galguei caminhos-de-ferro (põe-te em guarda)
palmilhei ruas à fome (põe-te em guarda)
dormi em bancos à chuva (põe-te em guarda)
e a solidão, não erro
se ao chamá-la, o seu nome
me vai que nem uma luva

Andei com homens de faca (põe-te em guarda)
vivi com homens safados (põe-te em guarda)
morei com homens de briga (põe-te em guarda)
uns acabaram de maca
e outros ainda mais deitados
o coveiro que o diga

O coveiro que o diga
quantas vezes se apoiou na enxada
e o coração que o conte
quantas vezes já bateu pra nada

E um dia de tanto andar (põe-te em guarda)
eu vi-me exausta e exangue (põe-te em guarda)
entre um berço e um caixão (põe-te em guarda)
mas quem tratou de me amar
soube estancar o meu sangue
e soube erguer-me do chão

Veio a fama e veio a glória (põe-te em guarda)
passearam-me de ombro em ombro (põe-te em guarda)
encheram-me de flores o quarto (põe-te em guarda)
mas é sempre a mesma história
depois do primeiro assombro
logo o corpo fica farto

Andei com homens de faca (põe-te em guarda)
vivi com homens safados (põe-te em guarda)
morei com homens de briga (põe-te em guarda)
uns acabaram de maca
e outros ainda mais deitados
o coveiro que o diga

O coveiro que o diga
quantas vezes se apoiou na enxada
e o coração que conte
quantas vezes já bateu pra nada

Sérgio Godinho, in "Sérgio Godinho e as 40 ilustrações"

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quinta-feira, 18 de abril de 2013
Dia Mundial do Livro - 23 de Abril - Sérgio Godinho e as 40 Ilustrações
25 de Abril 2013 - Destaques do Programa de Comemorações

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quarta-feira, 17 de abril de 2013
Livro da Semana

Debaixo de algum céu

de

Nuno Camarneiro



     "Num prédio encostado à praia, homens, mulheres e crianças - vizinhos que se cruzam mas se desconhecem - andam à procura do que lhes falta: um pouco de paz, de música, de calor, de um deus que lhes sirva. Todas as janelas estão viradas para dentro e até o vento parece soprar em quem lá vive. Há uma viúva sozinha com um gato, um homem que se esconde a inventar futuros, o bebé que testa os pais desavindos, o reformado que constrói loucuras na cave, uma família quase quase normal, um padre com uma doença de fé, o apartamento vazio cheio dos que o deixaram. O elevador sobe cansado, a menina chora e os canos estrebucham. É esse o som dos dias, porque não há maneira de o medo se fazer ouvir.
     A semana em que decorre esta história é bruscamente interrompida por uma tempestade que deixa o prédio sem luz e suspende as vidas das personagens - como uma bolha no tempo que permite pensar, rever o passado, perdoar, reagir, ser também mais vizinho. Entre o fim de um ano e o começo de outro, tudo pode realmente acontecer - e, pelo meio, nasce Cristo e salva-se um homem.
     Embora numa cidade de província, e à beira-mar, este prédio fica mesmo ao virar da esquina, talvez o habitemos e não o saibamos.
     Com imagens de extraordinário fulgor a que o autor nos habituou com o seu primeiro romance, Debaixo de algum céu - obra vencedora do Prémio LeYa em 2012 - retrata de forma límpida e comovente o purgatório que é a vida dos homens e a busca que cada um empreende pela redenção."

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terça-feira, 16 de abril de 2013
Alguém
     Era uma vez uma rapariga que, ao crescer, começou a sentir que tudo era demasiado difícil para ela. Sentia-se sozinha quando tinha de tomar uma decisão; sentia-se sozinha quando tinha de viver uma experiência triste ou dolorosa; sentia-se sozinha quando tinha de enfrentar problemas; sentia-se sozinha mesmo quando tinha alegrias! E, com tudo isto, sentia-se cansada e sem ânimo para avançar.
     Começou então a desejar, a desejar com muita força, ter um amigo. Desejou ter a seu lado alguém com quem pudesse partilhar as tristezas, alguém com quem pudesse partilhar as decisões, alguém com quem pudesse partilhar os problemas, e alguém com quem pudesse partilhar os momentos bons da vida! Desejou ter a seu lado alguém que lhe desse ânimo e que estivesse sempre com ela, que a aliviasse do peso que a vida lhe estava a causar.
     Desejou com tanta força, que certo dia surgiu, ao seu lado, uma figura. Esta figura sorriu-lhe e perguntou-lhe o que podia fazer por ela. A rapariga, depois de dissipada a estranheza, resolveu arriscar. Explicou então o que queria. Disse-lhe que não queria estar sozinha nos momentos difíceis; não queria tomar decisões sozinha; queria ter alguém com quem partilhar as coisas boas. Queria ajuda!
      A figura sorriu novamente. Disse-lhe:
     - Podes contar comigo. Vou estar ao pé de ti quando te sentires triste. Vou ajudar-te a ponderar as decisões. Vou ajudar-te a entender os problemas e a resolvê-los. Vou dar-te forças e fazer-te sentir feliz a cada dia que passa. Vou estar sempre ao pé de ti. Vou estar sempre contigo. Só preciso que nunca duvides disso.
     A rapariga, depois de um novo momento de perplexidade, ficou tão feliz, tão contente por se sentir acompanhada, que, num impulso, abraçou esta figura. Foi nesse momento que tudo aconteceu. Ao abraçá-la, a figura fundiu-se na rapariga. Elas não eram mais do que a mesma pessoa, duas partes da mesma mente.
     A partir desse momento a rapariga recuperou as forças e a tranquilidade, a alegria. Sentia-se bem. Sentia-se acompanhada por si mesma. Sabia que, bem dentro de si, havia essa parte que estava sempre, sempre, com ela, e nunca duvidou disso...

Margarida Fonseca Santos e Rita Vilela, in "Histórias para contar consigo"

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segunda-feira, 15 de abril de 2013
Animação do livro e da leitura para todos
No passado sábado, Carlos Areias, Cátia Miquelino, Catarina Saldanha, Sara Basílio e Sofia Dimas (sonoplastia), apresentaram a história "O Bobo da Corte", de M. L. Miller.





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Comemorações do 25 de Abril - Programa
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Bom Fim de Semana

Auto-retrato de Fernando Namora (15/4/1919 - 31/1/1989)



Bom fim de semana para todos

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Poema da Semana
POEMETO

Para sempre 
jaz o frio
no coração árido.
Para sempre 
morde o espinho
na flor sem regaço.
Mas se um gesto
mesmo tardio
te roça os dedos
... colhe-o.
A primavera nasce.

Fernando Namora, in "Nome para uma casa"

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quinta-feira, 11 de abril de 2013
Filme da Semana

Selvagens

um filme de 

Oliver Stone


"O realizador Oliver Stone, vencedor de três Óscares, apresenta este feroz thriller. 
Numa reluzente cidade Californiana à beira mar, dois melhores amigos inovam um negócio de marijuana que chamou a atenção do implacável Cartel Mexicano de Baja. Enquanto uma guerra aparentemente invencível se desenrola à sua volta, os amigos são forçados a fazer parte de uma selvagem batalha de vontades para salvar a rapariga que ambos amam.
Com Taylor Kitsch, Blake Lively, Aaron Johnson, John Travolta, Benicio del Toro e Salma Hayek nos principais papéis, este é um filme que não vai poder perder."

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quarta-feira, 10 de abril de 2013
O Bobo da Corte - 13 de Abril - 11H00
Livro da Semana

Fernando Pessoa: uma quase-autobiografia

de 

João Paulo Cavalcanti Filho


"Conheci Fernando Pessoa em 1966, pela voz de João Villaret. Foi o começo de uma paixão que até hoje me encanta e oprime."

"Enamorado desta figura de romance por escrever e de uma obra imensa que dispensa apresentação, José Paulo Cavalcanti Filho partiu à descoberta do homem que aqui nos dá a conhecer, de corpo inteiro: um Fernando Pessoa multifacetado, homem vaidoso, com dons de inventor e astrólogo, de ambições desmedidas e existência modesta; uma vida banal e triste para uma obra verdadeiramente universal.
Da reconstituição das esferas culturais da época aos pormenores do quotidiano, Cavalcanti decifra a vida por trás das palavras, a solitária multidão de um só Pessoa." 

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terça-feira, 9 de abril de 2013
Rosalinda
Uma vez, tinha eu tantos anos como todos os dedos da minha mão direita, acordei devagarinho, saí da cama, subi a um banquinho, espreitei pela janela do meu quarto e vi tudo forrado a neve. Havia um silêncio estranho na minha aldeia, sem pássaros a voar, sem cães a latir, sem ninguém a passar. Apenas um vento levezinho fazia mexer as camélias vermelhas de uma velha cameleira.
Eu estava sozinha em casa e tinha vontade de ir mexer na neve, fazer um boneco muito maior e muito mais gordo que eu. De repente, a porta de entrada da minha casa abanou, e eu ouvi: truz, truz!
- Quem é? - perguntei.
- Sou eu, abre a porta, Mariana!
- Tu? Mas como é possível? - disse eu, admirada, depois de espreitar pelo buraco da fechadura.
Abri a porta e comecei a rir.
Estava tão engraçada a minha boneca, que tinha desaparecido de casa sem me dizer nada. Deixei de rir, e comecei a ralhar:
- Fizeste-me sofrer, Rosalinda. Procurei-te por todos os lados, chamei por ti até ficar rouca. Não voltes a sair sem me avisar, ouviste?
Quando me passou a arrelia, espantei-me.
- Estás diferente. Rosalinda!
A minha boneca tinha o cabelo todo branco, e a roupa era exatamente igual à cor da neve. Reparei nos seus olhos cansados.
- Precisas de descansar, Rosalinda! - disse eu com voz de mãe preocupada.
Com cuidado, para não a magoar, peguei na Rosalinda ao colo, dei-lhe um beijo, levei-a para o meu quarto, e comecei a cantar baixinho:
Nana, nana, avozinha
nana, nana, meu amor
nana, nana, Rosalinda
num colinho de calor.
Cantei, embalei, voltei a cantar, tornei a embalar. E a minha boneca Rosalinda desfez-se em fiozinhos de água.
Nunca mais tive uma manhã de neve tão mágica como esta te contei.

António Mota, in Visão nº 1048


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Semana da Leitura 2012 - 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Dia Internacional Do Livro Infantil - CCV Lousal
No dia 2 de abril, Dia Internacional do Livro Infantil, o Centro de Ciência Viva do Lousal apresentou na Biblioteca Municipal o seu novo projecto,  " Um Malacate Cheio de Histórias".
Esta actividade teve como objectivo mostrar às crianças que a ciência está em nós.

Visitem o Centro de Ciência Viva do Lousal e embarquem numa experiência inesquecível!






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sexta-feira, 5 de abril de 2013
Bom Fim de Semana
Luís de Camões, por Almada Negreiros
(7 de Abril de 1893-15 de Junho de 1970)
Bom Fim de Semana
Poema da Semana
LUÍS O POETA SALVA A NADO O POEMA

Nada que nada
sempre a nadar
na mão o livro
braço no ar.
Nada que nada
sempre a nadar
livro perdido
no meio do mar.
Eu ou o livro
qual queres, mar?
Livro ou homem
ou é o par?
Leva-me a vida
podes matar
depois de tudo
não vou mudar.
Sou português
de Portugal
acaba a vida
e sigo igual.
Sou dos meus
de Portugal
aqui sou ilha
no meio do mar.
Ó ilha viva
sempre a boiar,
livro perdido
no meio do mar.
Pronto o meu livro
faltava dar
ainda a vida
para o salvar.
Saudade tenho
de Portugal
saudade é vida
sem a tocar.
É fado nosso
é nacional
não há portugueses
há Portugal.


Almada Negreiros, in "Poemas"

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VIII Edição Contos Traquinas
A convite da Biblioteca Municipal Manuel José “do Tojal”, as técnicas do sector infantil da B.M.G, deslocar-se-ão amanhã a Vila Nova de Santo-André para participarem na VIII Edição dos Contos Traquinas.

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quinta-feira, 4 de abril de 2013
Filme da Semana

Florbela

um filme de 

Vicente Alves do Ó


"Num Portugal atordoado pelo fim da I República, Florbela (Dalila Carmo) separa-se de forma violenta de António (José Neves). Apaixonada por Mário Lage (Albano Jerónimo), refugia-se num novo casamento para encontrar estabilidade e escrever, mas a vida de esposa na província não é conciliável com sua alma inquieta. Não consegue escrever nem amar. Ao receber uma carta do irmão Apeles (Ivo Canelas), oficial da Aviação Naval e de licença em Lisboa, Florbela corre em busca de inspiração perto da elite literária que fervilha na capital. 

Na cumplicidade do irmão aviador, Florbela procura um sopro em cada esquina: amantes, revoltas populares, festas de foxtrot e o Tejo que em breve verá o irmão partir num hidroavião. O marido tenta resgatá-la para a normalidade, mas como dar norte a quem tem sede de infinito? Entre a realidade e o sonho, os poemas surgem quando o tempo pára. Nesse imaginário febril de Florbela, neva dentro de casa, esvoaçam folhas na sala, panteras ganham vida e apenas os seus poemas a mantém sã. Por isso, Florbela tem que escrever! 

Este filme é o retrato íntimo de Florbela Espanca: não de toda a sua vida cheia de sofrimento, mas de um momento no tempo, em busca de inspiração, uma mulher que viveu de forma intensa e não conseguiu amar docemente."

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quarta-feira, 3 de abril de 2013
Animação"Ler Faz Crescer" - Grupos Escolares
Este mês as crianças vão descobrir o "País das Pessoas Tristes", baseado no livro de Manuel António Pina, "O Tesouro". Com este mote, os grupos escolares vão conhecer um Portugal muito diferente dos dias de hoje, onde as pessoas não podiam  manifestar-se livremente.  





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Livro da Semana

Cartas de Casanova: Lisboa 1757

de 

António Mega Ferreira


"No verão de 1757, o aventureiro Giacomo Casanova, que se evadira da prisão dos Piombi, em Veneza, desembarca em Lisboa. O espetáculo das ruínas provocadas pelo terramoto ultrapassa tudo aquilo que ele podia imaginar. Durante seis semanas, Casanova faz os possíveis por entender os portugueses: como é possível que a vida dos habitantes da cidade se tenha acomodado a uma tal desorganização?
Conhece o comerciante Ratton e o conde de S. Lourenço, o livreiro Reycend e o marquês de Alegrete, o poeta Correia Garção e a condessa de Pombeiro. E até se encontra com o misterioso marquês de X. Chega finalmente à fala com Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda não Oeiras, ainda não Pombal, a quem tenta vender o projeto de uma lotaria real. Exaspera-se e diverte-se, seduz e perde ao jogo, e encontra tempo para escrever seis cartas a cinco personagens importantes da sua vida.«Rien ne pourra faire que je ne me sois amusé» é a divisa que o guia. Mesmo em Lisboa. Mesmo depois de Grande Terramoto."

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Cartaz de Cinema - Abril 2013

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terça-feira, 2 de abril de 2013
Dia Internacional do Livro Infantil


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segunda-feira, 1 de abril de 2013
Apresentação do Livro "Fazendo Género no Recreio" de Maria do Mar Pereira
Biblioteca Itinerante - Horário e Percurso - Abril
Novidades Livros

MONTEIRO, Luísa
O estranho amável
82 LP-3 MNT



FARIA, Almeida
O murmúrio do mundo
82 LP-3 FRA



ALMEIDA, Carla Maia de
Onde moram as casas
82 LP-34 LMD (Inf)



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