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Biblioteca Municipal de Grândola
Biblioteca Municipal de Grândola
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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Feliz Ano Novo
Relógio mole no momento da sua primeira explosão, de Salvador Dalí

Os Funcionários da Biblioteca Municipal de Grândola desejam a todos um Feliz Ano Novo
Poema da Semana
Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta,
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

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Tolerânca de Ponto

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Livro da Semana


A Governanta
de
Joaquim Vieira

Vendo chegar a viatura oficial com o porta-bagagem carregado de lenha, o chefe do Governo gritou irado à sua governanta: "Os carros do Estado não são para carregar lenha! Não consinto!" A mulher não se ficou e gritou no mesmo tom: "Merda! A lenha não é para mim, é para o Salazar!"
Quem se atreveu a gritar assim a António de Oliveira Salazar, homem temido e respeitado por todos, foi Maria de Jesus Caetano Freire, a sua dedicada e fiel companheira ao longo de toda uma vida.


Nascida no seio de uma pobre família camponesa no lugar de Freixiosa da freguesia de Santa Eufémia, no concelho de Penela, distrito de Coimbra, aos 31 anos começou a servir os então lentes universitários e amigos Manuel Gonçalves Cerejeira e António de Oliveira Salazar. Seguiu este último para Lisboa (ao mesmo tempo que o primeiro subia ao lugar mais alto da hierarquia católica em Portugal) e só o abandonou quando, aos 81 anos , o ditador morreu por doença. Maria de Jesus tinha cumprido a missão da sua vida. Nunca casou, nem teve filhos.


Joaquim Vieira traz-nos a história de A Governanta, D. Maria ou Menina Maria, como Salazar gostava de tratá-la. Ninguém esteve tão perto do ditador durante o seu percurso de poder. Ninguém o conheceu tão bem, nem partilhou tantos momentos de intimidade. Recluso e celibatário, Salazar tinha no diálogo diário com a sua governanta o único contacto com a realidade dos portugueses. Fica a questão: até que ponto a sua influência não pesou nalgumas opções governativas do homem que comandou o país durante quatro décadas?


Mulher dura, forte, atenta, de uma dedicação canina, foi intendente, organizadora das lides domésticas, secretária, companheira, portadora de recados e pedidos, informadora de murmúrios e de opiniões que mais ninguém se atrevia a expressar, conselheira e até enfermeira, nos seus últimos tempos de vida, do fundador e líder do Estado Novo. D. Maria foi tudo isto e, por isso, merece um lugar de destaque na História do século XX português.

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terça-feira, 28 de dezembro de 2010
O Arco do Triunfo
Um rei vaidoso e tolo meteu na cabeça que devia ficar muito bem a passar por um Arco do Triunfo montado no seu cavalo. Infelizmente, o seu país não tinha nenhum arco, por isso, mandou construir um. Quando ficou pronto, reuniu os seus súbditos para que viessem vê-lo a passar por baixo dele montado no seu cavalo
Chegou o grande dia e todos se reuniram para ver tão magnífico espectáculo. O rei vestiu o traje mais requintado, subiu para o seu cavalo e dirigiu-se majestosamente para o arco. Infelizmente, este era demasiado baixo, e quando o rei chegou ao pé dele, bateu-lhe com a cabeça, sendo atirado para fora da sela e caindo no chão. A multidão explodiu em sonoras gargalhadas diante de tão inesperado e cómico episódio, chegando mesmo alguns dos cortesãos a rir à socapa por detrás das mãos abertas.
Furioso com aquela humilhação, o rei levantou-se com modos tão dignos quanto possível, e declarou que encontraria o responsável por aquele ultraje e que essa pessoa seria decapitada. O julgamento foi imediatamente preparado, e a primeira pessoa a comparecer foi o arquitecto.
- A culpa não pode de modo nengum ser minha - disse o arquitecto com arrogância. - Eu sou altamente qualificado. Frequentei a melhor universidade do país. Posso apresentar inúmeras cartas de recomendação. A culpa tem que ser dos pedreiros, que construíram o arco. Eles devem ter-se enganado a ler o meu projecto.
- A culpa não é nossa! - disseram os pedreiros ao comparecerem no tribunal. - Nós seguimos o projecto e construímos o arco tão alto quanto podíamos. A culpa dever ter sido dos carpinteiros que levantaram o tablado; eles devem tê-lo construído excessivamente baixo.
- A culpa não é nossa! - disseram os carpinteiros antes sequer do juiz ter tempo de ler a acusação. - Usámos toda a madeira que nos foi dada para o tablado. Não, a culpa não é nossa. A culpa deve ser do cavalo do rei, que é demasiado alto. - E, deste modo, o cavalo do rei teve que comparecer no tribunal.
- PBRRRRRR! - respondeu o cavalo. - Ouçam, a culpa não é minha. Não faz qualquer sentido acusarem-me de nada, porque não passo de um simples cavalo. Mas, se querem saber da minha opinião, para mim o problema é evidente. A questão é que a cabeça do rei é demasiado grande!
- Sim! - disseram todos os que estavam presentes no tribunal. E foi assim que se decapitou o rei.

Tim Bowley in Sementes ao vento: histórias do mundo

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Novidades Livros


VASCONCELOS, José Carlos de
Conversas com Saramago
82 LP-3 VSC

MATHESON, Richard
Eu sou a Lenda
82 LE-3 MTH

SANTOS, Margarida Fonseca
Escrito a lápis
82 LP-3 SNT



FRANQUIN
Resmas de Gafes
82-9 FRN (Juv)



STEIN, Mathilde
O rapaz que tinha medo
82 LE-34 STN (Inf)

CAMPANARI, José
Ernesto Bom-Dia
82 LE-34 CMP (Inf)

SHANNON, David
David vai à escola
82 LE-34 SHN (Inf)

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Boas Festas
Fachada da Natividade, de Antoni Gaudí, na Igreja da Sagrada Família, em Barcelona
Os Funcionários da Biblioteca Municipal de Grândola desejam a todos um Feliz Natal
Tolerância de Ponto

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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Livro da Semana


"Diamantes não são eternos"

de

Aydano Roriz

No Brasil do tempo da escravtura, o filho de um Senhor de Engenho, folgazão e armado em Don Juan, é induzido pelo pai a cometer incesto. Anos depois morre, e descobre que a sua vida continua depois da morte. Quase tudo como dantes, até ser levado para uma cidade invisível, fundada pelo filósofo Platão.

Repudiado pela família e criado pelos escravos, o fruto do incesto foge de casa e vai aventurar-se na lavra dos diamantes. E o pai, "do lado de lá", compreende o porquê das suas loucuras passadas, e convoca Pitágoras para dar uma mãozinha ao filho garimpeiro.

Do mesmo autor dos romances O DESEJADO, O FUNDADOR, O LIVRO DOS HEREGES e NOVA LUSITÂNIA, neste livro Aydano Roriz afasta-se do seu peculiar rigor histórico, para enveredar num mundo secreto e fantástico, ao qual só bem poucos têm acesso. E o resultado é surpreendente.

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010
PRESÉPIO DA MINHA INFÂNCIA
Era uma grande montanha de musgo, salpicada de fontes, de cascatas, de pequenos lagos, serpenteada de estradas em ziguezague e de ribeiros atravessados de pontes rústicas.
Em baixo, num pequeno tabernáculo, cercado de luzes, estava o divino bambino, louro, papudinho, rosado como um morango, sorrindo nas palhas do seu rústico berço, ao bafo quente da benigna natureza representada pela vaca trabalhadora e pacífica e pela mulinha de olhar suave e terno. A Santa Família contemplava em êxtase de amor o delicioso recém-nascido, enquanto os pastores, de joelhos, lhe ofereciam os seus presentes, as frutas, os frângãos, o mel, os queijos frescos.
A grande estrela de papel dourado, suspensa do tecto por um retrós invisível, guiava os três reis magos, que vinham a cavalo descendo a encosta com as suas púrpuras nos ombros e as suas coroas na cabeça. Melchior trazia o ouro, Baltasar a mirra, e Gaspar vinha muito bem com o seu incenso dentro de um grande perfumador de família, dos de queimar pelas casas a alfazema com açúcar ou as cascas secas de maçãs camoesas.
Atrás deles seguia a cristandade em peso, que se figurava descendo do mais alto do monte em direcção ao tabernáculo. Nessa imensa romagem do mais encantador anacronismo, que variedade de efeitos e de contrastes! Que contentamento! Que alegria! Que paz de alma! Que inocência! Que bondade!
Tudo bailava em chulas populares, em velhas danças moiriscas, em ingénuas gavotas, em finos minuetes de anquinhas e de bico de pé afiambrado.
Tudo ria, tudo cantava nesses deliciosos magotos de festivais romeiros de todas as idades, de todas as profissões, de todos os países, de todos os tempos!
Alguns - os mais ricos presépios - tinham corda interior fazendo piar passarinhos que voavam de um lado para o outro, mexiam as asas e davam bicadas nas fontes de vidro, em que caía uma água também de vidro, fingida com o cilindro que andava à roda por efeito de misterioso maquinismo.
Todas essas figuras do antigo presépio da minha infância tinham uma ingénua alegria primitiva, patriarcal, como devia ser a de David dançando na presença de Saul. Dessas grandes caras de páscoas, algumas modeladas por inspirados artistas obscuros, cuja tradição se perdeu, exclama-se um júbilo comunicativo como de uma grande aleluia.


Ramalho Ortigão in Chegou o natal!: histórias e poemas portugueses

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Novidades de Livros




HILL, Joe
Cornos
82 LE-3 HLL


SKÁRMETA, Antonio
A Rapriga do Trombone
82 LE-3 SKR


BOLAÑO, Roberto
A Litertura Nazi nas Américas
82 LE-3 BLN





CARVALHO, Bernardo
Trocoscópio
82 LP CRV (Inf.)


MARTINS, Isabel Minhós
Depressa, devagar
82 LP-34 MRT (Inf.)


CRUZ, Afonso
A contradição humana
82 LP-34 CRZ (Inf.)

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Bom Fim-de-semana!
Rembrandt Harmenszoon Van Rijn
A Biblioteca Municipal de Grândola deseja a todos os utilizadores um agradável Fim-de-Semana!
Informação
Informam-se os utilizadores que a Biblioteca Municipal irá estar encerrada no dia 18 de Dezembro de 2010 (Sábado), em virtude de se realizar o Almoço de Natal dos Trabalhadores da Câmara Municipal de Grândola.
Pelos eventuais incómodos causados apresentamos as nossas desculpas.

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Festa de Natal nas Escolas


Este ano, a Biblioteca Municipal de Grândola participou nas Festividades de Natal da escola básica dos Cadoços, Ameiras e Aldeia do Futuro com as histórias; "Ninguém dá prendas ao pai natal", de Ana Saldanha; "A prenda de natal do Henrique Semprespera", de John Burningham e "Um beijo para o pai natal", de Elisabeth Coudol.





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Poema da Semana
Ideal

Aquela que eu adoro não é feita
De lírios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas lânguidas, divinas,
Da antiga Vénus de cintura estreita...

Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortais entre ruínas,
Nem a Amazona, que se agarra às crinas
Dum corcel e combate satisfeita...

A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...

É como uma miragem que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do Desejo.....

Antero de Quental in Poesia Completa 1842-1891

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Visitas à Biblioteca
Ontem, durante a tarde, as EB1 de Melides e Água Derramada, vieram ouvir as histórias "Estória, estória... do tambor a Blimundo" de Celina Pereira e "O rapaz que tinha medo" de Mathilde Stein, que foram contadas pelo Carlos e pela Sofia.
















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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Animação da Leitura
Hoje recebemos a visita das crianças do Jardim de Infância nº 1 de Grândola e contámos-lhes a história "A Prenda de Natal do Henrique Semprespera" de John Burningham. Aqui ficam alguns registos dessa animação.


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terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Visitas de J. I.

O Jardim de Infância de Azinheira de Barros e o Centro Infantil do Lousal visitaram-nos ontem, para ouvirem a Cátia contar a história "A Zebra Zézé", de Ana Ventura.


Mais tarde, recebemos as crianças do Jardim de Infância da Aldeia de S. Lourenço, onde a Sara lhes contou a história "O pote Pinote", de Patacrúa.




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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Novidades Livros


GABRIEL, Jorge
O livro dos avós
379 GBR

NORTON, Cristina
O segredo da bastarda
82 LP-3 NRT

RUIZ ZAFÓN, Carlos
Marina
82 LE-3 ZFN



VIEIRA, Alice
A arca do tesouro
82 LP-34 VRA (Inf)

MÉSSEDER, João Pedro
Lulu ou a hora do lobo
82 LP-34 MSS (Inf)

ALVES, Gabriela
Combas: a história de uma lombriga
616 LVS (Inf)

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Antes do Natal chegar - Teatro Infantil
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
O Embargo - Um filme baseado no conto homónimo de José Saramago

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Bom Fim-de-Semana!
António Carneiro
Os funcionários da Biblioteca Municipal de Grândola desejam a todos os utilizadores um bom fim-de-semana.
Poema da Semana
Amanhecer

Navego no cristal da madrugada,
Na dureza do frio reflectido,
Onde a voz ensurdece, laminada,
Sob o peso da noite e do gemido.

Abre o cristal em nuvem desmaiada,
Foge a sombra, o silêncio e o sentido
Da nocturna memória sufocada
Pelo murmúrio do dia amanhecido.

José Saramago in Os poemas Possíveis

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À Mesa com Mário Zambujal



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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Livro da Semana


Vida em mim

de

Nuno Lobo Antunes

No momento da morte, diz-se, passam na nossa mente, em sucessão instantânea, pessoas, lugares, pedaços da existência, no rebobinar de um filme que se extingue. Neste livro, em processo semelhante, mil vozes se erguem, fantasmas adormecidos despertam, memórias há muito esquecidas retomam brilho e cor, quando presente e passado se confundem, e uma semana vale uma vida.

Olhos que se vêem a si mesmos, e nessa peregrinação interior procuram descobrir o nexo, o sentido de uma existência em que o passado caminha ao lado do presente, numa conversa cúmplice de quem se conhece bem.

No final do dia, o médico pede ao leitor que lhe devolva o que ele deu aos seus doentes: um ouvido para ouvir, um coração a partilhar, uma mente que tente compreender. Nesse processo, troca de lugar, põe-se do outro lado da secretária, mergulha dentro de si, desarruma as memórias e, tal como os doentes de quem cuida, abre o jogo e mostra quem é e de onde vem.

Pode encontrar este livro na sua biblioteca com a cota 82 LP-3 NTN

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