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Biblioteca Municipal de Grândola
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quarta-feira, 30 de abril de 2014
Bom Fim de Semana

Vasco Graça Moura (3/1/1942 - 27/4/2014), por Júlio Pomar


Bom Fim de Semana

Bom Feriado

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Poema da Semana
morte convencional

dizem que a coisa é assim: a grande sonsa
crepuscular alastra pelas veias,
fogem tacto e olfacto à geringonça
e o gosto, o ouvido, a vista e as ideias.

o cabelo suado, a barba intonsa,
as demais circunstâncias muito feias,
alguma gente em pranto que responsa
num negrume confuso de alcateias.

deitam o olho às jóias, à mobília,
os membros menos tristes da família
e a chuva dá nos vidros grosso açoite.

vai-se em cata da agência à luz das velas
nas páginas abertas, amarelas,
a murmurar: «não passa desta noite.»

Vasco Graça Moura, in "Poesia: 1997-2000"

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Livro da Semana

Maria dos Canos Serrados

de

Ricardo Adolfo


"«O olho da rua fixa-nos. Sabe que o nosso rabo será dele muito em breve. E, como o único sector que está a expandir é o do gardanho, sentimo-nos cada vez mais próximas do roubo à mão armada. É a evolução natural. Caminhamos para uma vida mais honesta. Uma coisa prometemos, só vamos limpar gajos. Como fazem sempre muito mais do que nós todas juntas, está na altura de a diferença ser cobrada, para sermos iguais na nossa miséria.»

Maria dos Canos Serrados é a história de uma moça de má rês que se torna pior ainda.
Arredores de Lisboa. Maria, vinte e muitos, adora a igualdade de liberdades, o seu namorado gigolô, as noites intoxicadas com as amigas e a ideia de vir a ser directora. Mas, de um dia para o outro, vê-se desamada, despedida e falida. E, entre resignar-se ou virar a mesa, Maria decide acertar contas de arma em punho.
Contada de rajada na primeira pessoa, Maria dos Canos Serrados é uma história desbocada, nascida da Grande Crise. Uma reflexão sobre a nova mulher, que não precisa de um Clyde para ser Bonnie."


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terça-feira, 29 de abril de 2014
Tolerância de Ponto - 30 de Abril (a partir das 13H00)

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Liberdade
Nelson Mandela por Peter Engels


"A liberdade nunca pode ser tomada por garantida. Cada geração tem de salvaguardá-la e ampliá-la. Os vossos pais e antepassados sacrificaram muito para que pudésseis ter liberdade sem sofrer o que eles sofreram. Usai este direito precioso para assegurar que as trevas do passado nunca voltem."

Nelson Mandela, in "Discurso (1999)"

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segunda-feira, 28 de abril de 2014
Novidades Livros

MÓNICA, Maria Filomena
A sala de aula
371 MNC



GARCÍA DE CORTÁZAR, Fernando
Pequena História do Mundo
94(100) CRT (Juv)



CARLE, Eric
Amigos
82 LE-34 CRL (Inf)

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quinta-feira, 24 de abril de 2014
Exposições - 25 de Abril - Horário de abertura ao público



Estas Exposições estão patentes ao público até ao dia 31 de Maio

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Boas Comemorações




Grândola, Vila Morena

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade 

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena 

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra d’uma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

Zeca Afonso

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Comemorações dos 40 anos do 25 de Abril - Destaques
Filme da Semana

 Mandela: longo caminho para a liberdade

um filme de 

Justin Chadwick


"Mandela: longo caminho para a liberdade celebra a extraordinária vida de Nelson Mandela desde a sua infância numa pequena aldeia até à sua eleição como Presidente da África do Sul. Baseado na sua autobiografia, o filme mostra-nos o político ativista pela defesa dos direitos humanos e pelo fim do apartheid, mas também o homem simples, meigo e brincalhão num retrato inspirador de uma das mais importantes figuras da história da humanidade." 

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quarta-feira, 23 de abril de 2014
Histórias da resistência ao Fascismo antes do 25 de Abril

27 de Abril - 16H00

Biblioteca Municipal de Grândola

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Apresentação do Livro "Mandela: o rebelde exemplar" de António Mateus


26 de Abril - 17H00

Biblioteca Municipal de Grândola

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23 de Abril - Dia Mundial do Livro
Livro da Semana

Os rapazes dos tanques

de

Alfredo Cunha e Adelino Gomes


"Os Rapazes dos Tanques oferece-nos imagens e testemunhos exclusivos dos homens que estiveram frente a frente no Terreiro do Paço e no Carmo, no dia 25 de Abril de 1974. As fotografias de Alfredo Cunha e as entrevistas conduzidas por Adelino Gomes levam-nos a (re)viver aquelas horas e a percebermos as dúvidas, os receios, a ansiedade, a tensão, a esperança, as alegrias vividas por cidadãos que, depois desse dia, regressaram, na maior parte dos casos, ao anonimato. E a conhecer, também, o olhar que esses homens têm sobre o país quarenta anos depois.

 Este livro dá voz, pela primeira vez, a furriéis e cabos que não obedeceram às ordens de fogo do brigadeiro comandante das forças fiéis ao regime - um ato de justiça aos que estando, numa primeira fase, na defesa do regime arriscaram a vida e souberam estar à altura do desafio.

Os Rapazes dos Tanques é uma homenagem aos homens da Cavalaria que acabaram com 48 anos de ditadura, em especial, ao capitão Salgueiro Maia." 

retirado daqui

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terça-feira, 22 de abril de 2014
Apresentação do Livro "Mandela: o rebelde exemplar" de António Mateus


26 de Abril - 17H00

Biblioteca Municipal

No dia 26 de Abril, pelas 17H00,  irá realizar-se a apresentação do livro "Mandela: o rebelde exemplar", pelo autor, António Mateus. Esta iniciativa está integrada nas Comemorações dos 40 anos do 25 de Abril.

Esperamos por si

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Exposição - 25 de Abril - 40 anos de Poder Local


24 de Abril - 19H30

Biblioteca Municipal de Grândola

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Exposição - 25 de Abril - 40 anos 40 imagens (1974-2014)

24 de Abril - 19H30

Biblioteca Municipal de Grândola



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Um significado peculiar
   "Há expressões que mudam de significado consoante a região, há ditos que nos fazem lembrar certas pessoas, há palavras que evitamos porque são, no meio em que vivemos, entendidas como uma ofensa a A ou a B, enfim, a nossa língua é viva e as palavras ganham todos os dias novos sentidos. às vezes inesperados. 
   Aqui se dá conta de um termo que, quando usado na nossa terra, não serve para pedir ao nosso interlocutor para não levantar problemas ou para não fazer críticas, como é comum em todo o lado, mas sim para lembrar duas figuras populares, de um passado pouco distante, que eram o senhor Pinto e o senhor Cardoso. Bons vizinhos e inseparáveis amigos, desde há muitos anos companheiros da sueca, todos os dias à tardinha, encontravam-se na taberna do Zé da Loja, ora para conversar, ora para jogar às cartas, sempre para beber dois copos e saber as novidades da terra, em conversas que às vezes se revelavam demoradíssimas, a falar de tudo e de nada, fraca justificação, no entender dos familiares, para um regresso a casa tão tardio, quantas vezes a desoras, frequentemente bem bebidos os dois, uma ou duas vezes por semana, de caixão à cova.
   Importa ainda dizer que ambos estavam aposentados, o senhor Pinto de guarda fiscal e o senhor Cardoso de funcionário dos Caminhos de Ferro, sendo o primeiro um homenzarrão, com mais de um metro e oitenta de altura e pesando muito mais de cem quilos, a contrastar com o senhor Cardoso, homem baixo e atarracado, com uma barriga enorme, onde gostava de apoiar as mãos em cruz e nesse propósito esperar, encostado à porta da taberna, a chegada do amigo Pinto, para este muitas vezes lhe dizer, entre duas risadas:  
   - Ó Cardoso, tira-me esse pipo do sol, se não ainda azedas o vinho!
   Aconteceu que, numa noite de Inverno, em que ambos vinham para casa sem nenhuma sede, desabou um chuveiro medonho, daqueles que em pouco tempo, encharcam uma pessoa até aos ossos. Por isso, e por sugestão do antigo guarda fiscal, procuraram abrigar-se debaixo das escadas da casa do Faísca, compadre do Pinto, abrindo o tramelo da cancela que dá para os currais e que, felizmente para eles e para quem mora em terra tão pacata, não precisa de chave, pois ali não vivem ladrões.
   Estavam ambos a acomodar-se quando o chão se lhes abriu debaixo dos pés, uma vez que, sob as escadas, fora construída a fossa séptica para serventia da casa e as tábuas que a cobriam estavam podres, não aguentando com o peso de tão avantajados intrusos.
   Enterrados no lodo, o senhor Pinto, porque mais alto, foi quem primeiro começou a tentar sair daquele atoleiro, enquanto o senhor Cardoso, de estatura muito mais baixa, como se disse, procurava, apenas, manter a boca de fora, nem sempre com êxito, mas sem queixumes. Todavia, quando percebeu que era o amigo que, na tentativa de se safar, agitava a água choca, que tanto o atormentava, mostrou de imediato a sua aflição, começando a gritar, repetidamente:
   - Ó Pinto, não faças ondas! Ó Pinto, não faças ondas!
   E é por isso que esta expressão, na nossa terra e enquanto as pessoas se lembrarem dos bons amigos Pinto e Cardoso, tem um significado peculiar, que só nós conhecemos."

António da Silva Ramos, in "Histórias devidas"

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segunda-feira, 21 de abril de 2014
Comemorações dos 40 anos do 25 de Abril - Destaques
Novidades Livros

FONSECA, Ana Sofia
Capitãs de Abril
94(469) FNS



LUÍS, Agustina Bessa
Colar de flores bravias
82 LP-3 LIS



SEPÚLVEDA, Luis
História de um caracol que descobriu a importância da lentidão
82 LE-34 SPL (Inf)

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quinta-feira, 17 de abril de 2014
Filme da Semana

Capitão Phillips

um filme de

Paul Greengrass


"Capitão Phillips representa a visão multi-facetada da captura, em 2009, do porta-contentores norte-americano Maersk Alabama por piratas da Somália. É simultaneamente - através do olhar característico de Paul Greengrass - uma emocionante aventura e um complexo retrato dos inúmeros efeitos da globalização. O filme mostra a relação entre o comandante do Alabama, o Capitão Richard Phillips (Tom Hanks, vencedor de dois Oscars), e Muse (Barkhad Abdi), o chefe Somali que o tem como refém. Phillips e Muse vêem-se em rota de colisão quando Muse e a sua tripulação decidem atacar o navio desarmado de Phillips. No inevitável confronto, a 145 milhas da costa da Somália, ambos serão confrontados com forças alheias ao seu comando."

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quarta-feira, 16 de abril de 2014
Tolerância de Ponto - Páscoa

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Livro da Semana

Biografia involuntária dos amantes

de

João Tordo


"Numa estrada adormecida da Galiza, dois homens atropelam um javali. A visão do animal morto na estrada levará um deles - Saldaña Paris, um jovem poeta mexicano de olhos azuis inquietos - a puxar o primeiro fio do novelo da sua vida. Instigado pelas confissões desconjuntadas do poeta, o seu companheiro de viagem - um professor universitário divorciado - irá tentar descobrir o que está por trás da persistente melancolia de Saldaña Paris.

A viagem de descoberta começa com a leitura de um manuscrito da autoria da ex-mulher do mexicano, Teresa, que morreu há pouco tempo e marcou a vida do poeta como um ferro em brasa. O narrador não poderia adivinhar (porque nunca podemos saber as verdadeiras consequências dos nossos actos) que a leitura desse manuscrito teria o mesmo efeito sobre a sua vida.

As páginas escritas por Teresa revelam a sua adolescência no seio de uma família portuguesa contaminada pela desilusão: um pai ausente e alcoólico, um tio aventureiro e misterioso, uma mãe demasiado protectora. Mas o que ressalta com maior vivacidade daquelas páginas é o relato enternecedor do seu primeiro amor, ao mesmo tempo que começam a insinuar-se na sua vida realidades grotescas e brutais. Confrontado pela primeira vez com a suspeita dessa terrível possibilidade, Saldaña Paris mergulha numa depressão profunda. Determinado em libertar então, peça a peça, a biografia involuntária dos dois amantes. Uma biografia que passa pelo desvelar do passado, para que este não contamine irremediavelmente o futuro.

Nesta dupla tentativa de salvação (a do amigo mas também a sua própria), o professor irá procurar  encontrar «as coisas certas» que ainda nos definem como humanos e resgatar a possibilidade de um futuro com dias felizes."

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Exposição "O meu lugar de memória"


DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS

EXPOSIÇÃO
"O Meu lugar de Memória" reúne memórias registadas em fotografia de vários locais e acontecimentos do concelho de Grândola. 

A exposição estará patente hoje, dia 16 de abril, no Largo de São Sebastião (junto à USG), entre as 11h e as 19h30

Recordar é viver ! 

Visite-nos !

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terça-feira, 15 de abril de 2014
A Estrela de Seis Pontas

Cine Granadeiro

17 de Abril - 22H00

Da autoria de Manuel Tiago - pseudónimo literário de Álvaro Cunhal -  “A Estrela de Seis Pontas” evoca  a vida do histórico  dirigente comunista enquanto preso politico e a fuga do Forte de  Peniche: “Um preso político convive e abraça os anseios e as lutas de muitos outros presidiários ali fechados por crimes de delito comum, afastados de uma profunda razão de estar preso e sentir em absoluta consciência a perda da liberdade, defender outras ideias e combater com razão outros valores humanos e sociais. 
A dimensão humana, do presidiário, foi sendo transformada através de vários personagens e episódios/situações pontuais, o relato de vida na prisão nos anos de 1940-50 e da resistência dos comunistas à ditadura de Salazar e Marcelo Caetano, das prisões políticas e das perseguições da PIDE/DGS.”

O TASTeatro Animação de Setúbal é uma companhia de teatro profissional fundada em 1975. Conta com mais de 100 produções, entre clássicos, contemporâneos e originais, dando sempre particular relevância aos autores de língua e expressão portuguesa.

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O lobo e o cão
No sábado assistimos à dramatização da fábula "O lobo e o cão" de Jean de La Fontaine, pelas funcionárias da Biblioteca Municipal - Cátia Miquelino e Catarina Saldanha, que tiveram o apoio de Sara Basílio no som. Ficam algumas fotografias desse momento.









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Engano
     "O ruído dos motores tornara-se ensurdecedor. Depois, de súbito, tudo ficou em silêncio.
     Foi à janela e olhou.
     Lá em baixo os carros tinham parado, exactamente em frente à mansão. Abriram-se portas e as fardas começaram a sair, algumas de bota alta, olhando para cima.
     Recuou um pouco, para não ser visto lá de fora. Encostou o cano da Stein ao canto da janela e, aguentando com firmeza na anca, atirou a primeira rajada num movimento sabiamente circular. E continuou.
     Enganou-se. Pela primeira vez.
     Vinham apenas dizer-lhe que fora eleito Presidente."

Mário-Henrique Leiria, in "Contos do Gin-Tonic"

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segunda-feira, 14 de abril de 2014
23 de Abril - Dia Mundial do Livro


No próximo dia 23 de Abril comemora-se o Dia Mundial do Livro. A Rede de Bibliotecas de Grândola está a preparar a iniciativa "Livros: vários amores, a mesma paixão", uma sessão de conversas sobre os livros das nossas vidas.

Inscrições na Biblioteca Municipal de Grândola ou através dos contactos 269 450 080 // biblioteca@cm-grandola.pt - até ao dia 21 de Abril.


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Novidades Livros

CARVALHO, Sérgio Luís de
Dicionário de insultos
81'374 CRV



KIDSTON, Cath
Costura criativa
746 KDS



FONSECA, Pedro Prostes da
A porta para a liberdade
94(469) FNS

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quarta-feira, 9 de abril de 2014
O lobo e o cão - 12 de Abril - 11H00
Livro da Semana

Os Memoráveis

de

Lídia Jorge


     "Em 2004, Ana Maria Machado, repórter portuguesa em Washington, é convidada a fazer um documentário sobre a Revolução de 1974, considerada pelo embaixador americano à época em Lisboa como raro momento da História. Aceite o trabalho, regressa a Portugal, contrata dois antigos colegas, e os três jovens entrevistam vários intervenientes e testemunhas do golpe de Estado, revisitando os mitos da Revolução de Abril. Um percurso que permite surpreender o efeito da passagem do tempo não só sobre esses heróis, como também sobre a sociedade portuguesa, na sua grandeza e nas suas misérias.
     Transfiguradas, como se fossem figuras sobreviventes de um tempo já inalcançável, as personagens de Os Memoráveis tentam recriar o que foi a ilusão revolucionária, a desilusão de muitos dos participantes e o árduo caminho para uma Democracia.
     Paralela a esta acção decorre uma outra, pessoal e íntima: a história do pai da protagonista, António Machado, que retrata em privado o destino que se abate sobre todos os outros. Todos vivem na Democracia, uma espécie de lugar de exílio. Mas um dia, todas as misérias serão esquecidas, quando se relatar o tempo dos memoráveis.

     O antigo embaixador inclinou-se para a bandeja do copeiro, ajustou o casaco de seda em cuja algibeira havia canetas douradas, e falou em português. - «Pode crer, miss Machado, que nunca encontrei ao longo do meu percurso um povo tão sensato como aquele a que você pertence. Um povo pobre, sem álgebra, sem letras, cinquenta anos de ditadura sobre as costas, o pé amarrado à terra, e de repente acontece um golpe de Estado, todos vêm para a rua gritar, cada um com sua alucinação, seu projecto e seu interesse, uns ameaçando os outros, corpo a corpo, cara a cara, muitos têm armas na mão, e ao fim e ao cabo insultam-se, batem-se, prendem-se, e não se matam. Eu vi, eu assisti. É esta realidade que é preciso contar antes que seja tarde.»

     Em Os Memoráveis, Lídia Jorge procura surpreender aquele espaço indefinido que decorre entre o relato que a História ilumina, cheia de verdades difíceis de enfrentar, e a criação do mito, quando a vida já se transformou numa construção da imaginação ou da vontade."

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terça-feira, 8 de abril de 2014
Documentário - Grândola, Maio de 1974 - Crónica de Fialho Gouveia

Cine Granadeiro Auditório Municipal

9 de Abril - 21H30

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Os olhos e a barriga
     "A notícia veio nos jornais: um desempregado de 23 anos, pai de dois filhos, deitou a mão a um dos belos cisnes do lago do Parque de Basílio Teles, em Matosinhos, torceu-lhe o pescoço e levava-o para casa, para o jantar da família, quando foi apanhado por um polícia.
     Os cisnes são, desde tempos imemoriais, símbolos de beleza e de perfeição e, nessa qualidade, «bibelots» vivos da decoração de lagos e jardins. Nos jardins suspensos da Babilónia; nos do «shogun», em Kyoto; em Pequim, nos do imperador; nos lagos imensos do palácio de Kublai Khan, como nos do edénico jardim inicial, vogaram - vogam eternamente - cisnes. Sob as suas formas tranquilas e longilíneas se ocultou Zeus para seduzir Leda e desse amor nasceu Helena, por cuja beleza morreram Aquiles e Heitor, Páris e Ajax, Ifigénia e Polixena, e caiu para sempre, em chamas, a orgulhosa Tróia.
     O infeliz herói desta crónica, todavia, não teve pelo seu lado nem a complacência dos deuses nem do polícia de giro. Passeava no Parque de Basílio Teles quando topou com o cisne e, em vez de lhe dar para qualquer arroubo helénico, muito prosaicamente representou à sua frente sete ou oito quilos de carne vogando ociosos e inúteis nas águas paradas. Quem o culpará de, em vez da memória de Leda e de Zeus ou em vez de ter escrito uma ode, lhe terem ocorrido coisas mais corriqueiras, como a mulher e os filhos com fome em casa e o crédito esgotado na mercearia? Vejo Charlot perseguido pelo garimpeiro de A quimera do oiro de faca e garfo na mão, e - que Apolo me perdoe - um cisne sempre é mais parecido com um frango do que o homenzinho do côco e da bengala! 
     O gesto do desemprego, debruçado, como Narciso, sobre as águas, agarrando pragmaticamente o bicho pelo pescoço, não ficará na história da arte; mas há-de reconhecer-se-lhe dignidade para ficar na história da vida, pelo menos na da sua miserável e concreta vida de português de Matosinhos, em 1985, mais precisado do efémero útil do que do eterno agradável.
     O Tribunal de Polícia vai agora ser chamado a dirimir na antiga questão da arte pela arte ou da arte pela vida. E, como é de esperar, optará (muito concretamente) pela mais abstracta das duas posições, e o homem de 23 anos aprenderá à sua própria custa coisas essenciais: que os cisnes são para encher os olhos e não a barriga e que a beleza não se come. Se a beleza se comesse já o bicho teria acabado em algum «vernissage» ou em qualquer banquete oficial, não ficava à espera de um desempregado que passasse..."

JN (05/10/1985)

Manuel António Pina, in "Crónica, saudade da literatura"

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segunda-feira, 7 de abril de 2014
Novidades Livros

DEAN, A. M.
O Bibliotecário
82 LE-3 DAN



COLLINS, Tim
O Diário de um Vampiro Banana 4
82 LE-3 CLL (Juv)



REISINHO, Pedro
O meu livro
82 LP-34 RSN (Inf)





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sexta-feira, 4 de abril de 2014
Bom Fim de Semana

José de Almada Negreiros (7/4/1893 - 15/7/1970)
retrato de Stuart de Carvalhais



Bom Fim de Semana

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Poema da Semana
ITINERÁRIO SOBRE O JOELHO

Nascer
vir a este mundo
é acordar legível do sono eterno.
Maravilhoso (e é) que seja acordar
traz mistura pessoal:
preferia não ter nascido.
Fazemos parte de animal perpétuo
que exige o nosso serviço dele.
Mas é um passageiro
tem que inventar optimismo e graça
e permanecer acordado o animal perpétuo.
Nascemos órgãos e seremos, afinal, o todo do organismo.
Personalidade não é senão o ímpeto para nos deixarmos de nascidos intactos
é condição primeira do ser vivo eterno que somos.
Nasce segunda vez o que morre a morte primeira.
Nasce-se segunda vez o ser vivo eterno que somos.
Iremos por onde não há adesão possível à segunda vida
porta do eterno.
Depois é o silêncio que fala
a paz que nos esperava.

José de Almada Negreiros, in "Poemas"

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quinta-feira, 3 de abril de 2014
Projeto "Ler Faz Crescer"
De 12 de fevereiro a 26 de março, as técnicas da Biblioteca Municipal, promoveram o livro “Zé Pimpão, o acelera”, com versos de José Jorge Letria  e ilustrações de André Letria.

Durante estas sessões de sensibilização para a prevenção rodoviária,  as técnicas animaram a obra com a participação das crianças, fomentando a interactividade, dando a conhecer alguns dos cuidados e regras fundamentais de trânsito.









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