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Biblioteca Municipal de Grândola
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quinta-feira, 30 de abril de 2015
Bom Fim de Semana
"Operários" (1933), por Tarsília do Amaral

Bom Dia Internacional dos Trabalhadores

Bom Fim de Semana

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Poema da Semana
Soneto do Trabalho

Das prensas dos martelos das bigornas
das foices dos arados das charruas
das alfaias dos cascos e das dornas
é que nasce a canção que anda nas ruas.

Um povo não é livre em águas mornas
não se abre a liberdade com gazuas
à força do teu braço é que transformas
as fábricas e as terras que são tuas.

Abre os olhos e vê. Sê vigilante
a reacção não passará diante
do teu punho fechado contra o medo.

Levanta-te meu Povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
pois quando o povo acorda é sempre cedo.

José Carlos Ary dos Santos, in "Obra Poética"

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EXPERIMENTA: Workshop de iniciação ao Cante Alentejano


O workshop dirigido a maiores de 15 anos vai decorrer nos dias 5, 12, 19 e 26 de maio e será orientado por Paulo Ribeiro.
Paulo Ribeiro cantor e compositor natural de Beja, que desde cedo se interessou pela música e em particular pelo cante, tem vindo a desenvolver nos últimos anos um intenso trabalho em torno do Cante Alentejano, em colaboração com alguns dos mais representativos Grupos Corais e Etnográficos do Alentejo. É Director do Grupo Coral e Etnográfico "Coop" de Grândola.

* As inscrições para o workshop são gratuitas e devem ser efectuadas no Estúdio Jovem.




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Filme da Semana


O Homem Duplicado

um filme de

Denis Villeneuve



Baseado no romance homónimo de José Saramago

"Adam (Jake Gyllenhaal) é um instável professor universitário que vive refém de uma monótona rotina diária. Uma noite, enquanto vê um filme, descobre a existência de um ator exatamente igual a si. Obcecado por conhecer o seu sósia, parte à descoberta desse outro homem forçando um encontro com consequências imprevisíveis não só para eles mas também para as suas companheiras: Mary (Mélanie Laurent) e Helen (Sarah Gadon)."

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quarta-feira, 29 de abril de 2015
Tolerância de Ponto - 30 de Abril - 13H00

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Biblioteca Itinerante - Horário e Percurso - Maio
Livro da semana

Submissão

de

Michel Houellebecq


"Paris, 2022: François, investigador universitário, cumpre desapaixonadamente o ofício do ensino a par de uma vida calma e impermeável a grandes dramas, uma rotina de quarentão apenas ocasionalmente inflamada pelos relacionamentos passageiros com mulheres cada vez mais jovens. É também com indiferença que vai acompanhando os acontecimentos políticos do seu país.

Às portas das eleições presidenciais, a França está dividida. O recém-criado partido da Fraternidade Muçulmana conquista cada vez mais simpatizantes, graças ao seu carismático líder, numa disputa directa com a ultraconservadora Frente Nacional. O país obcecado por reality shows e celebridades acorda para a política e toma de assalto as ruas de Paris: somam-se os tumultos, os carros incendiados, as mesas de voto destruídas.
 
Afastado da universidade pela nova direcção, deprimido, François retira-se para o campo, onde espera deixar de sentir as ondas de choque da capital. Regressa a Paris poucos dias depois do desfecho eleitoral e encontra um país que já não reconhece. É tempo de se questionar sobre se deve, e pode, submeter-se à nova ordem.
 
Submissão convida a uma reflexão sobre o convívio e o conflito entre culturas e religiões, desafiando a relação entre Ocidente e Oriente e entre cidadãos e instituições. Um romance que, como é habitual na obra do autor, se adianta ao seu tempo e coloca questões prementes, hoje mais relevantes do que nunca. Michel Houellebecq confirma-se nestas páginas como um pensador temerário, capaz de detectar as grandes tensões do nosso tempo, interpretando-as com lúcida ironia.
 
Uma fábula política e moral surpreendente, Submissão é o romance mais visionário e simultaneamente mais realista de Michel Houellebecq."

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terça-feira, 28 de abril de 2015
Cartaz de Cinema - Maio

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Uma ideia de partilha
   "Em 2009 publiquei um romance que se chama A sombra do que fomos. É um romance geracional porque fala das pessoas como eu, nascidas em finais dos anos quarenta, e foi concebido um dia, em Santiago do Chile, durante a cerimónia de preparação de um asado, um churrasco. Eu observava de longe o homem que preparava o fogo, sozinho: era um companheiro da nossa idade, e tinha sido o adversário mais odiado pela ditadura de Pinochet. O exército, a polícia, os serviços secretos tinham ordens para o matar assim que o vissem, onde quer que o encontrassem: execução imediata. Porque este senhor, que se chama Martín Pascual, era o comandante da força política armada, a Frente Patriótica Manuel Rodriguez, que, com perseverança e determinação, conduzira durante a ditadura uma guerrilha sem um único dia de trégua. Em catorze anos, todos os dias houve uma ação armada da FPMR. Tinha atormentado o regime ao ponto de o obrigar a dialogar com as outras forças políticas, para chegar a uma conciliação civil das divergências.
   Agora o homem mais odiado da ditadura estava sozinho, à parte, embrenhado na cerimónia de preparar o fogo, espalhar o carvão, fazer as brasas. Estava sozinho porque cada chileno tem uma maneira particular, pessoal, íntima e secreta de começar a preparar o fogo para grelhar a carne. Aproximei-me um pouco e disse-lhe respeitosamente: «Olha, eu não quero copiar o teu segredo, gostava de falar contigo sobre outras coisas». E enquanto falávamos, na grelha iam-se sucedendo várias carnes. Primeiro chegou o frango, preparado com a receita pessoal, íntima e secreta das pessoas encarregadas do churrasco: fantástico, com a pele crocante. A seguir as costeletas de carneiro, também elas marinadas de uma forma individualíssima. Depois o porco, sempre com uma receita da qual não se podia revelar nada. Por fim, a carne bovina.
   À mesa começámos a discutir sobre a razão de termos esta paixão pela comida, com tudo o que isso significa: a preparação, a cerimónia, o amor que se concretiza no momento de virar uma, duas vezes a carne. E questionámo-nos sobre a razão de sermos tão diferentes dos argentinos, que, pelo contrário, põem em comum o conhecimento culinário Quando se faz uma festa assim na Argentina, quem cozinha chama sempre os amigos todos, que se juntam em volta do grelhador e desse modo aprendem. Ao invés, no Chile preparamos a comida como se guardássemos ciosamente sabe-se lá que segredo, com uma espécie de hedonismo privado que é realmente específico da nossa nação. O meu amigo defendia que era por causa da grande diferença entre o sentido da vida e da sociedade argentina e chilena: «Em relação à nossa, é uma sociedade com uma origem europeia mais evidente. Têm uma grande tendência para socializar o que fazem», comentou.
   Talvez seja verdade. Os argentinos socializam a aprendizagem, nós, por exemplo, apenas socializamos o sofrimento. Quando um argentino é abandonado pela namorada ou pela mulher, o que faz? Vai a um psicanalista, submete-se a dois ou três meses de sessões e informa todos os amigos que está a fazer análise e que lhe tem feito bem. Ao fim daqueles três, quatro meses, o médico convence-o de que a namorada, ou a mulher, não tem culpa nenhuma, mas que a culpa é do pai dele (acaba por ser sempre assim). E o argentino partilha esta descoberta com os amigos, com uma certa tristeza, dizendo: «Olhem só o que o meu velho me fez.»
   Quando um chileno é abandonado pela namorada ou pela mulher, não vai ao psicanalista. Vai ao talho, compra quatro quilos de um  tipo de carne, quatro de outro tipo, prepara tudo segundo a sua receita pessoal, íntima e secreta, e convida os amigos todos para comunicar a novidade: «Sabem que a minha namorada me deixou?». E todos os amigos rebatem: «Sim, sim, ficam-te bem os cornos», e riem-se. Toda a noite e todo o dia seguinte bebem, riem e comem, e ao fim de dois dias a dor diminuiu. O bálsamo curativo está no facto de que a dor é transformada, pela pessoa que a sente, na ação hedonista de preparar a carne segundo a sua própria receita, que por ser tão pessoal requer toda a sua sensibilidade.
   Um dos casos, e não é o único, em que a salvação chega através da comida."

Luis Sepúlveda, in "Uma ideia de felicidade"

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segunda-feira, 27 de abril de 2015
Novidades Livros

VIEIRA, Joaquim
De Abril à Troika
94(469) VRA

 

RIORDAN, Rick
O filho de Neptuno
82 LE-311.3 RRD (Juv)



QUINTERO, Armando
Que susto!
82 LE-34 QNT (Inf)

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sexta-feira, 24 de abril de 2015
Bom Fim de Semana
Cartaz de Vieira da Silva, in "A Guerra dos Cartazes"


Esperamos por si nas comemorações!

Bom Fim de Semana

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Poema da Semana
Abril de Abril

Era um Abril de amigo Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.

Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo Abril de Abril.

Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.

Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.

Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.

Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas.

Manuel Alegre

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Comemorações dos 41 anos do 25 de Abril - Destaques

Junto ao Complexo Desportivo Municipal José Afonso

A partir das 20H15

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quinta-feira, 23 de abril de 2015
INFORMAÇÃO - Horário de abertura das Exposições de Escultura

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Dia Mundial do Livro - Apresentação do Livro "Escrevam a dizer quem foi ao meu funeral", de Celso Filipe

Cineteatro Grandolense

23 de Abril - 21H00

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23 de Abril - Dia Mundial do Livro

O Dia Mundial do Livro, celebrado a 23 de Abril por decisão da UNESCO, pretende chamar a atenção para uma data considerada simbólica por nela terem nascido importantes escritores internacionais. Em todo o mundo, organismos e entidades da sociedade civil destacam o prazer de ler, e a importância que os livros, nos seus vários suportes, têm na sociedade contemporânea.
Este ano o cartaz do Dia Mundial do Livro é da autoria do atelier Silvadesigners, de Jorge Silva, e mostra-nos, num jogo de luzes e de efeitos, que os livros podem ter leituras variadas e múltiplos ecos, consoante os leitores onde chegam.

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quarta-feira, 22 de abril de 2015
Livro da Semana

Meu pai, o General sem medo

de

Iva Delgado

"Humberto Delgado ficou conhecido como General sem Medo pela coragem com que enfrentou a ditadura de Salazar. Aclamado por multidões de norte a sul de Portugal, lutou pela Liberdade até à sua morte às mãos da PIDE, em 13 de Fevereiro de 1965.

O livro de memórias de sua filha revela-nos o lado íntimo dessa figura carismática, Humberto Delgado é recordado no seu bom humor e na sua generosidade, como pai a um tempo rigoroso e criador de elos afetivos.

As recordações da autora levam-nos até ao Canadá e aos Estados Unidos da América, onde viveu anos decisivos da sua infância e juventude. A inesperada reviravolta familiar que representou o combate do general contra o regime marcou indelevelmente Iva Delgado, que viu o pai pela última vez em 20 de Abril de 1959, data da sua partida para o exílio.

A presente obra inclui correspondência violada pela PIDE e uma extraordinária coleção de fotografias, na maior parte inéditas, Iva Delgado deixa-nos um testemunho ímpar sobre o homem que se tornou um mito do século XX português."

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terça-feira, 21 de abril de 2015
Abril - Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância



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Dia Mundial do Livro - Apresentação do Livro "Escrevam a dizer quem foi ao meu funeral", de Celso Filipe

Cineteatro Grandolense

23 de Abril - 21H00

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Os lugares de Arla Valerion
   "Os olhos de Aline cintilavam uma luz irídica de vislumbrar as paisagens que Arla Valerion descrevia com uma intensidade fulgurante. Aline fechou o livro e ficou a imaginar as viagens de Arla pelo enorme mundo. Como conhece imensamente, como é exuberante esta escritora.
   O livro tombou das mãos de Aline para o seu regaço e ali ficou humilde, calado. Mas na mente de Aline havia um burburinho fecundo, insistente, carregado de lugares onde a magia da natureza prevalece sobre todas as coisas. Aline queria ser como Arla Valerion, conhecer aqueles lugares luxuriantes, exprimir-se com o timbre da natureza, mas tudo o que Aline havia conseguido fora escrevinhar umas cartas de amor pouco voluptuosas, pouco aromáticas na tintífica fragrância. Ocorria-lhe agora que podia ter exprimido os seus sentimentos de uma forma mais apaixonada, mais romântica. E com as frases de Arla Valerion na memória, Aline chegou a acreditar que teria sido capaz. Mas agora era tarde.
   Aline perdera o seu noivo. Este casara-se com uma modelo que era neta dos Vargas e viera de visita aos avós. Casara-se assim de repente, sem sequer desfazer o noivado, e deixara Aline a desposar a solidão.
   Por isso Aline passou a ler muito. Frequentava amiúde os lugares de Arla Valerion e festejava a sua solidão com a ebriedade da escrita daquela autora arrojada.
   Os mistérios da escrita espicaçaram-na e Aline começou a escrever cartas que o seu amado, agora casado com outra, não chegaria nunca a ler. Descobriu que conseguia imprimir beleza às coisas sinistras como os morcegos e as noites sem luar. Descobriu também que podia viajar sem sair do seu quarto, percorrer os lugares misteriosos do seu sonho.
   Aline está agora a escrever o seu primeiro livro."

Pedro Águas, in "O velho caleidoscópio"

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segunda-feira, 20 de abril de 2015
Comemorações dos 41 anos do 25 de Abril - Destaques

Junto ao Complexo Desportivo Municipal José Afonso

A partir das 20H15

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Novidades Livros

SAMPAIO, Daniel
O tribunal é o réu
159.9 SMP

 

RUSSELL, Rachel Renée
Diário de uma Totó 7
82 LE-3 RSS (Juv)

 

MAGALHÃES, Álvaro
O Estranhão 2
82 LP-34 MGL (Inf)

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sexta-feira, 17 de abril de 2015
Bom Fim de Semana
Pintura retirada daqui


Bom Fim de Semana

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Iniciativas a decorrer durante o Fim de Semana

Biblioteca Municipal de Grândola
18 de Abril - 16H00



Cineteatro Grandolense
17 de Abril - 21H30

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Poema da Semana
O VISITANTE IMPREVISTO

Como um punhal me atravessa
o sobressalto afrouxado
quem chegou tão a desoras?
A Poesia.

Como um rosto sobre o charco
as águas quietas tremeram
quem abalou o marasmo?
A Poesia.

Como um cristal que se parte
do estilhaço a branca ferida
quem de Abril fez um cravo?
A Poesia.

Como nos ecos giestas
da montanha deslumbrada
quem se mirou no meu poço?
A Poesia.

Poesia veio
poesia arde.

E é tarde.

Fernando Namora, in "Nome para uma casa"

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quinta-feira, 16 de abril de 2015
Filme da Semana

Mamã

um filme de

Andres Muschietti

"Quando o pai de Victoria e Lilly mata a mãe das garotas, as crianças fogem assustadas para uma floresta. Durante cinco anos ninguém tem notícia do paradeiro delas, até ao dia em que elas reaparecem, sem explicarem como sobreviveram sozinhas. Os tios das duas, Lucas e Annabel adotam Victoria e Lilly e tentam dar uma vida tranquila ás duas, mas logo eles percebem que existe algo errado. As duas conversam frequentemente com uma entidade invisível, que chamam de «Mamã». Lucas e Annabel não sabem se acreditam nas meninas, ou se devem culpá-las pelos estranhos acontecimentos na casa."

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quarta-feira, 15 de abril de 2015
Apresentação do Livro "Escrevam a dizer quem foi ao meu funeral", de Celso Filipe
Apresentação do Livro "O Seminarista e o Guerrilheiro", de Cândido Matos Gago

Cineteatro Grandolense

17 de Abril - 21H30

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Comemorações do 25 de Abril - Associação José Afonso (Nucleo de Grândola)

Biblioteca Municipal

18 de Abril - 16H00

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Livro da Semana


O último europeu

de

Miguel Real

"Em 2284, a Europa é maioritariamente composta por Baldios governados por clãs guerreiros que escravizam as populações esfomeadas; subsiste, porém, um território isolado por um cordão de segurança com uma sociedade que, por via da ciência e da tecnologia, atingiu um nível altíssimo de felicidade individual, pois todos os desejos podem ser consumados, ainda que apenas mentalmente. Nesta Nova Europa, as relações sexuais são livres e não se destinam à procriação: as crianças, desconhecendo os pais, nascem nos Criatórios em placentas sintéticas e seguem para Colégios onde, sem a ajuda de livros, andróides especializados incrementam as suas competências como futuros Cidadãos Dourados. As famílias reúnem-se por afinidades, ninguém trabalha e nem sequer existem nomes, para que ninguém se distinga, já que todas as conquistas se fazem em nome da comunidade. Mas este mundo aparentemente perfeito sofre uma inesperada ameaça: a Grande Ásia, lutando com graves problemas de demografia, acaba de invadir a Europa... Um velho Reitor, estudioso do passado, é chamado a liderar uma equipa que possa refundar algures a Nova Europa e a deixar testemunho da sua História. Vinte e cinco anos depois da queda do Muro de Berlim, Miguel Real constrói uma utopia sublime no contexto de um novo paradigma civilizacional, revelando o seu talento de escritor e filósofo e, ao mesmo tempo, chamando a atenção para o esgotamento da Europa actual."

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terça-feira, 14 de abril de 2015
Apresentação do Livro "O Seminarista e o Guerrilheiro", de Cândido Matos Gago

Cineteatro Grandolense

17 de Abril - 21H30

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As camadas por debaixo da casca
   "(...) A recordação gosta do jogo das escondidas das crianças. Entrincheira-se. Tende para as belas palavras e gosta do adorno, muitas vezes sem fazer esforço. Contradiz a memória, que se dá ares pedantes e embirra em ter razão.
   Quando é importunada com perguntas, a recordação assemelha-se a uma cebola, que quer ser descascada, para que possa vir à luz aquilo que é legível, letra a letra: raramente de forma unívoca, muitas vezes como escrita em espelho, ou de qualquer outro modo cifrado.
   Por debaixo da primeira, ainda seca e estaladiça casca, encontra-se a camada seguinte, a qual, mal retirada, liberta, húmida, uma terceira, sob a qual a quarta e a quinta esperam e sussurram. E cada uma das seguintes transpira palavras evitadas por demasiado tempo, sinais tortuosos também, como se um vendedor de segredos tivesse, desde cedo, quando a cebola ainda germinava, querido cifrar-se.
   Logo desperta a ambição: estes gatafunhos têm de ser decifrados, aquele código quebrado. Logo é desmentido aquilo que insiste em ser verdade, porque amiúde é a mentira ou a sua irmã mais nova, a batota, que compõe a parte mais durável da recordação; escrita no papel, soa credível e vangloria-se com pormenores que se impõem com rigor fotográfico: o telhado de cartão alcatroado, reluzente sob o calor de Julho, do barracão no pátio das traseiras da nossa casa arrendada, cheirava a rebuçado de malte quando não havia vento...
   A gola lavável da minha professora primária, a senhora Spollenhauer, era de celulóide e apertava tanto que o pescoço dela fazia pregas.
   Os laços em hélice das meninas, ao domingo no pontão de Zoppot, quando a banda da Polícia de Segurança tocava modas alegres...
   O meu primeiro boleto comestível...
   Quando nós, alunos, não tínhamos aulas por causa do calor...
   Quando as minhas amígdalas lá voltavam outra vez a ficar inflamadas...
   Quando eu engolia perguntas...
   A cebola tem muitas camadas. Existem em maioria. Mal é descascada, renova-se. Cortada, provoca lágrimas. Só ao descascá-la fala verdade. O que aconteceu antes e depois do fim da minha infância, bate à porta com factos e decorreu pior do que o desejado, quer ser contado às vezes assim, outras de maneira diferente e desencaminha para histórias de mentira. (...)"

Günter Grass (16/10/1927 - 13/04/2015), in "Descascando a cebola"
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Novidades Livros

BENNETT, Alan
A leitora real
82 LE-3 BNN



CAMPBELL, Julie
O visitante misterioso
82 LE-311.3 CMP (Juv)



SOBRAL, Catarina
O meu avô
82 LP-34 SBR (Inf)

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sexta-feira, 10 de abril de 2015
Bom Fim de Semana
José de Almada Negreiros (Auto-retrato)


Bom Fim de Semana

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Poema da Semana
A SOMBRA SOU EU

A minha sombra sou eu,
ela não me segue,
eu estou na minha sombra
e não vou em mim.
Sombra de mim que recebo luz,
sombra atrelada ao que eu nasci,
distância imutável de minha sombra a mim,
toco-me e não me atinjo,
só sei do que seria
se de minha sombra chegasse a mim.
Passa-se tudo em seguir-me
e finjo que sou eu que sigo,
finjo que sou eu que vou
e que não me persigo.
Faço por confundir a minha sombra comigo:
estou sempre às portas da vida,
sempre lá, sempre às portas de mim!

José de Almada Negreiros (7/4/1893 - 15/6/1970)

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quinta-feira, 9 de abril de 2015
Filme da Semana

The Railway Man = Uma longa viagem

um filme de

Jonathan Teplitzky

"Em 1942, durante a 2ª Grande Guerra, o oficial britânico Eric Lomax (Colin Firth) é capturado pelo exército japonês em Singapura e enviado para um campo de prisioneiros, onde é forçado a trabalhar nos caminhos de ferro da Birmânia (também conhecida por caminhos de ferro da Morte). Durante o tempo em que esteve detido, Lomax, foi alvo de terríveis maus tratos e tortura. Cinco décadas mais tarde, já em liberdade, num esforço de superar os traumas de guerra, este homem atormentado decide aceitar a ajuda de Patti (Nicole Kidman), a sua dedicada mulher, e Finlay (Stellan Skarsgard), um dos seus amigos mais próximo, e enfrentar Takashi Nagase (Hiroyuki Sanada), o seu torturador mais cruel. Para isso, tem de regressar ao local onde antes esteve encarcerado e lidar com os fantasmas que teimaram em não o deixar avançar com a sua vida. Mas será ele capaz de perdoar alguém que, durante tanto tempo, viu morrerem de fadiga, tortura e exaustão milhares de seres humanos?"

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quarta-feira, 8 de abril de 2015
Livro da Semana

Retrato de rapaz

de

Mário Cláudio

"Farto do descaminho de Giacomo, o pai vem deixá-lo ao estúdio de banho tomado, mas ainda com andrajos e piolhos, para que o artista que exuma cadáveres e constrói máquinas voadoras o endireite e faça dele seu criado. A beleza do rapaz impressiona Leonardo, que logo pensa nele para um anjo, concluindo porém que lhe assentam melhor corninhos de diabrete, e assim o rebaptizando como Salai. Serão, de resto, os pecadilhos do rapaz que o farão cair nas boas graças do amo e o elevarão à categoria de aprendiz sem engenho mas com descaramento para emitir opiniões, borrar a pintura, traficar pigmentos e até surripiar desenhos. E, num jogo de pequenas traições mútuas, vai-se criando entre Salai e o pintor uma cumplicidade que os aproximará como se fossem pai e filho. Mas eis que irrompem na vida de ambos Três Graças viciosas que semeiam a discórdia e o ciúme, ameaçando fazer esmorecer a estrela que os reuniu...

Retrato de rapaz é uma novela fulgurante sobre a relação entre mestre e discípulo, nem sempre isenta de drama e decepção, e sobre a criatividade de um artista genial em tudo, mesmo na gestão dos seus afectos. Com a presente obra, Mário Cláudio compôs, com a arte e a mestria a que nos habituou, um retrato belíssimo que pode ser apreciado como uma pintura."

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terça-feira, 7 de abril de 2015
Inauguração da Exposição de João Cutileiro: Escultura . Desenho . Fotografia
Inauguração da Exposição Coletiva de Escultura