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Biblioteca Municipal de Grândola
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quarta-feira, 29 de junho de 2016
Livro da Semana
 
Combater duas vezes: mulheres na luta armada em Angola
 
de
 
Margarida Paredes
 
 
   "A história contemporânea de Angola é inseparável das guerras e conflitos que duraram entre 1961 e 2002, incluindo as Lutas de Libertação nacional e a Guerra Civil após a independência. Um dos aspetos mais marcantes destas guerras foi a participação das mulheres como combatentes.
   Num contexto social de dominação masculina, esta participação nem sempre significou, para estas mulheres, maior visibilidade, e a verdade é que, depois das guerras, muitas foram esquecidas. No entanto, não há como negar que a participação das mulheres na Luta Armada reforçou a luta pela emancipação feminina e igualdade de género, já que elas assumiram papéis que lhes estavam interditos anteriormente.
   Num trabalho que resulta da sua tese de doutoramento em Antropologia, Margarida Paredes cria um arquivo de memórias no feminino sobre crimes coloniais, resistência anticolonial, Luta de Libertação e Guerra Civil, bem como sobre conflitos internos, como o 27 de Maio de 1977, onde realça o comando do Destacamento Feminino das FAPLA na sublevação militar e a repressão que vitimou as comandantes após a revolta.
 
   «Resgatar um palimpsesto de memórias de guerra é recuperar uma multiplicidade de passados e percursos de vida que, se por um lado foram de violência, sofrimento, humilhação, traumas, perdas, rancor e tragédia, também foram de resistência, luta, criatividade, inovação, superação, paixão, amor, solidariedade e esperança.»
 
   MARAGRIDA PEREDES é natural do Penedo da Saudade, em Coimbra. Em 1974, abandonou o curso universitário na Bélgica para lutar pela independência de Angola ao lado do MPLA, movimento a que aderiu em 1973. Passou por Brazzaville e foi uma das primeiras militantes vindas do Congo a entrar em Luanda após o 25 de Abril de 1974.
   Depois da independência abandonou o exército angolano para trabalhar no Conselho Nacional de Cultura com o poeta António Jacinto. Aí desenvolveu projetos na área dos espetáculos e artes plásticas, trabalhando com «crianças-soldado» e órfãos de guerra. Regressou a Portugal em 1981.
   Licenciada em Estudos Africanos pela Faculdade de Letras de Lisboa, obteve o grau de Doutora em Antropologia pelo ISCTE-IUL com o tema «Mulheres na Luta Armada em Angola». No pós-doutoramento, trabalhou o tema «Mulheres Afrodescendentes da Polícia Militar em Salvador». É investigadora e professora na Universidade da Bahia, Salvador, Brasil. Desenvolve uma linha de pesquisa sobre Masculinidades Femininas no Campo Militar."   

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