Antero de Quental - 170º Aniversário de Nascimento
Antero de Quental (18 de Abril de 1842 - 11 de Setembro de 1891) Amaritudo Só por ti, astro ainda e sempre oculto, Sombra do Amor e sonho da Verdade, Divago eu pelo mundo e em ansiedade Meu próprio coração em mim sepulto. De templo em templo, em vão, levo o meu culto, Levo as flores d'uma íntima piedade. Vejo os votos da minha mocidade Receberem somente escárnio e insulto. À beira do caminho me assentei... Escutarei passar o agreste vento, Exclamando: assim passe quando amei! — Oh minh'alma, que creste na virtude! O que será velhice e desalento, Se isto se chama aurora e juventude? Antero de Quental , in "Sonetos"