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A Bicicleta

"Uma bicicleta deitada no chão sem a roda de trás.    Um homem pega na bicicleta e tenta pedalar, mesmo sem a roda de trás. Não consegue.    Deixa a bicicleta no chão.    Volta, passado algum tempo. Traz uma roda de bicicleta. Monta-a, mas essa roda tem o pneu vazio.    Ele deixa a bicicleta no chão. Surge, minutos mais tarde, com uma bomba de ar para encher o pneu.    Enche o pneu. Testa os dois pneus. Sobe para cima da bicicleta, começa a pedalar. Primeiro devagar, depois com entusiasmo, cada vez mais rápido. Pedala, pedala, pedala. Vemos o seu rosto eufórico. De súbito, um choque, um enorme ruído. Um automóvel e a sensação de que a bicicleta se partiu ao meio.    A porta do automóvel a abrir-se, o grito de uma mulher." Gonçalo M. Tavares, in "Short movies"

XIV Estafeta de Contos

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Na passada quinta-feira, dia 3 de novembro realizou-se a “XIV Estafeta de Contos”. Projeto promovido pela Biblioteca Municipal de Beja que tem como objetivo a partilha de contos entre instituições.
   Nessa manhã, Margarida Peredo e Carla Fonseca, técnicas da Biblioteca Municipal de Santiago entregaram às animadoras da Biblioteca Municipal de Grândola, Cátia Miquelino e Sofia Dimas uma maleta de contos, objeto que representa o elo de ligação entre todas as sessões desta estafeta.    As histórias contadas durante a sessão foram; “Os músicos de Bremen”, dos irmãos Grimm; “O lobo que queria dar a volta ao mundo”, de Orianne Lallemand e “O segredo do Rei Curro”, de Patacrúa.    No dia seguinte a Cátia e a Sofia foram entregar a estafeta à contadora anfitriã Tânia Simões no Jardim de Infância Pinhal do General - Quinta do Conde onde voltaram a partilhar histórias com os mais pequenos."








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UM PROBLEMA DE FÉ

"Era uma organização poderosíssima, num prédio de cinquenta andares, em pleno centro da grande cidade.    Dizia-se que eram escritórios da mais moderna concepção arquitectónica, exemplarmente apetrechados para a concretização de projectos e também para o estudo e a prospecção de mercados dentro das mais diversas áreas da actividade.    Milhares de arquivos, computadores, impressoras, fotocopiadoras: um mundo da mais evoluída tecnologia. E assim mesmo, largas centenas de funcionários, numa escala de valores também monumental, desde as simples secretárias aos chefes de departamento, aos gabinetes de aconselhamento técnico, jurídico e financeiro, partindo daí para as mais altas esferas da administração.    Um verdadeiro universo em actividade.    Cá em baixo, junto à entrada o porteiro - homem modestíssimo - afirmava com um sorriso sarcástico:    - Sou pobre, mas não me deixo enganar: o patrão disto não existe!" António Victorino d'Almeida, in "Os devoradores de li…

AS MÃOS

"Um homem com um balde de tinta na mão esquerda traça com a mão direita uma linha que separa Berlim. É uma fotografia de 1948. O homem que estava nessa fotografia, ainda novo, é o velho que agora segura na fotografia.    Ele olha atentamente para a foto e tenta identificar a rua que ele, sozinho, com um balde de tinta, dividiu em dois - como se a tinta branca fosse suficiente para separar duas formas de entender e actuar sobre o mundo. Mas não pegou apenas em tinta, quando tinha aquela idade. Também matou; e fez ainda outras coisas piores que não contou a ninguém.    De qualquer maneira, este homem que agora se vê a si próprio tão novo na foto, este homem agora é muito velho e a fotografia - devido à sua velhice, à perda de domínio dos movimentos - não para de se mover na sua mão, como se não estivesse estável.    É muito velho e não se envergonha de nada do que fez. Apenas tem vergonha de a sua mão estar a tremer." Gonçalo M. Tavares, in "Short movies"

Livro do Tempo

"Nadia apenas sentiu um puxão na saca antes de cair desamparada no chão. O embate deixou-a sem ar e desnorteada. Assustada agarrou o livro que se encontrava no bolso do casaco. Levantou-se com dificuldade, tentando perceber quem lhe teria roubado a saca. Olhou para a rua e não viu ninguém, retirou o livro de capa castanha já muito gasta que mantinha no bolso, abrindo-o ao acaso escrevinhou em letra quase ilegível: “Dobrando a esquina um agente da autoridade apareceu, arrastando o ladrão da bolsa.” Fechou o livro guardando-o no bolso rapidamente e aguardou. Olhou para ambos os lados do passeio e dobrando a esquina um agente da autoridade apareceu. Numa das mãos segurava a sua saca vermelha, na outra, arrastava um corcunda baixote, com o rosto coberto de cicatrizes. Para um humano normal, não passaria de um ladrão miserável e feio, para Nadia, era um Norman, protector do Livro do Tempo e eterno inimigo. Eram uma raça empenhada em encontrar o Livro e o devolver ao Reino dos Dae…

O ovo da Páscoa

"A galinha Balbina da minha vizinha nem podia ouvir falar da Páscoa. Mal ela se aproximava, a dona tirava-lhe os ovos para fazer folares.E os filhos, esses mariolas, iam à capoeira tirar ovos para pintar. - Estou farta, farta, farta! - cacarejava ela para o galo Gonçalo. - Tanto quero uns pintainhos, mas como é que vou chocar? Podias dar uma picadela nesses ladrões de ovos. Mas o galo continuava a cantar, fingindo que não ouvia. Bem sabia que, se entrasse em lutas com o bicho-homem, ia parar à panela.Ora certa manhã, justamente na semana da Páscoa, a galinha Balbina descobriu que a dona tinha trazido uma coisa esquisita no saco do supermercado. Por cima do pacote de arroz e do frasco de detergente, reluzia um ovo maravilhoso, todo dourado. Nunca vira coisa parecida.Que ave rara põe ovos assim? Nem galinha de aviário, nem pata, nem gansa. Talvez fosse da famosa galinha dos ovos de ouro. E um pinto nascido de tal ovo devia ser todo de ouro... Enquanto a minha vizinha Manuela foi b…

Conflitos livrescos

"Naquela livraria, os e-books estavam sempre a arreliar os livros. «Nós somos o futuro», dizia um. «Podemos ser descarregados pela Net», acrescentava outro. «Ocupamos muito menos espaço», orgulhava-se um terceiro. Dia e noite, não paravam as provocações.    Uns chatos, os e-books!    Os livros, com a sabedoria de uma espécie com muitas centenas de anos, aguentavam em silêncio.        Até que aconteceu aquele acidente de que todos estão lembrados. No arranque da nova central de produção de energia, a reacção descontrolada com origem num efeito quântico negligenciado pelos projectistas provocou um impulso electromagnético que literalmente fritou tudo o que era equipamento electrónico num raio de muitos quilómetros.
   E agora, no silêncio da noite, sobre os cadáveres de e-readers, tablets e computadores espalhados pela livraria, é possível ouvir as risadinhas de satisfação dos livros...
   Quem ri no fim, ri melhor." João Ventura, in "Antologia Fénix de Ficção Científ…

BIBLIOTECAS

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Arte de JAS   "As bibliotecas deviam ser declaradas da família dos aeroportos, porque são lugares de partir e de chegar.    Os livros são parentes directos dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se entrassem dentro do próprio ar, a ver o que existe para depois do que não se vê.     O leitor entra com o livro para o depois do que não se vê. O leitor muda para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao avesso do tempo. Fora de tudo, fora da biblioteca. As bibliotecas não se importam que os leitores se sintam fora das bibliotecas.    Os livros são também toupeiras ou minhocas, troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam furos na cabeça. Eles sabem chover e fazer escuro, casam filhos …

Libris in Ténebris

"A última luz desligou-se, e o edifício ficou finalmente entregue à escuridão. Ouviram-se os tacões dela a ecoar pela sala e a porta principal a ser arrastada até fechar com um estrondo. Um bom som para acabar um longo dia. O som adequado para começar uma longa noite. Mal ela sabe que o verdadeiro trabalho só começa quando ela sai. É à noite que os livros ganham vida.
   Uma pequena porta abriu-se no fundo da biblioteca. Num abrir e fechar de olhos uma sombra saiu de lá e voltou a esconder-se entre as estantes. Apenas o restolhar das folhas dos livros indicou que algo se tinha passado. No segundo seguinte já tudo tinha voltado ao normal. Quase.
   Se alguém estivesse presente na sala poderia reparar numa sombra a esquivar-se por entre os corredores de livros. Mas sempre pelo canto do olho. Esta sombra tem muito a fazer, e não pode parar por mero anseio.
   Um riso ecoou pela sala, quase escondendo o barulho de asas a bater. Mas a mesma calma manteve-se, as estantes quietas co…

O relógio da torre

"Um homem bem vestido pára no meio da praça e levanta a cabeça. Com os movimentos de quem parece confirmar as horas pelo relógio gigante da praça central, o homem bem vestido vai acertando o seu relógio de pulso.    Olhamos agora para o relógio da praça central e vemos que ele está a ser arranjado: há vários homens em seu redor. E se esses homens parecem macacos que, em vez de se apoiarem em galhos, se apoiam em ponteiros metálicos gigantes, se por instantes parecem macacos, segundos depois parecem médicos em redor de um corpo qualquer que está a sucumbir a eles - meios eléctricos e acelerados, outras vezes com uma calma que não se percebe - ali estão, em redor daquele corpo em forma de círculo, tentando recuperar os batimentos do único coração que, de facto, faz falta.    De qualquer maneira, o homem lá em baixo continua à espera." Gonçalo M. Tavares, in "Short movies"

Um apólogo

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha: — Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo? — Deixe-me, senhora. — Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça. — Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros. — Mas você é orgulhosa. — Decerto que sou. — Mas por quê? — É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu? — Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu? — Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados... — Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e ma…

Vivam as Férias * Verão 2015 - 6 de Agosto

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Jardim 1º de Maio 6 de Agosto - 18H00

Havia muito sol do outro lado

"Aquilo tornara-se um vício. Ele ouvia um telefone a tocar e logo estendia o braço e levantava o auscultador.    - E se fosse para mim?    Os amigos faziam troça:    - No consultório do teu dentista?    Uma noite estava sozinho, no Rossio, à espera de um táxi, quando o telefone tocou numa cabina ao lado. Era no fim da noite e chovia: uma água mole, desesperançada, tão leve que parecia emergir do próprio chão. Ruben enfiou as mãos nos bolsos do casaco.    - É claro que não vou atender - disse alto. - Não pode ser para mim. Se atender este telefone é porque estou a enlouquecer.    O telefone voltou a tocar. Não chegou a tocar cinco vezes. Ele correu para a cabina e atendeu.    - Está?    Estava muito sol do outro lado. Era, tinha de ser, uma tarde de sol.    - Posso falar com o Gustavo?    A voz dela iluminou a cabina. Ruben pensou em dizer que era o Gustavo. Estava ali, àquela hora absurda, abandonado como um náufrago na mais triste noite do mundo. Tinha o direito de ser o Gus…

CONTO DE FADAS

"Uma estrela cadente roçou por mim nessa tarde, incendiaram-se as sarças à beira do caminho e ouvi estouros e o fogo alastrou pelas bermas ainda há pouco verdejantes da estrada real.    - Vem comigo, meu lindo desamparado, sempre triste, disse-me uma estranha criatura, muito alta, com longos cabelos louros e chifres na cabeça.    Toquei-lhe os corninhos por curiosidade e ela disse-me:    - Não mexas aí, é território sagrado.    - Quem és tu, afinal?    - Sou a fada má dos teus delírios.    - E queres fazer-me mal?    - Não, tu encantaste-me. Terás que te acautelar com a fada boa, porque está cheia de inveja.    - Que é que me dás?    - O que é que tu queres?    - Quero um carro de desporto e a jovem que é para mim a beleza absoluta no ser humano.    - E onde é que ela está?    - No íntimo dos meus sonhos.    - Como é que ela se chama?    - Amor louco.    A fada bateu com a varinha de condão numa rocha, da qual jorrou água muito pura, e da brancura do repuxo ergueu-se, límpida…

Em busca da visão

"Numa tribo índia vivia um rapaz. Um belo rapaz. Ele era um rapaz muito bom, um rapaz mesmo muito bom, muito bom. Na verdade, ele era o melhor rapaz de toda a tribo, e sabia-o! Chegou o dia em que teve que partir em busca da sua visão, e todos na aldeia tinham a certeza de que receberia uma excelente visão. Ele partiu da aldeia com seu mestre, que o levou para o sopé de uma montanha próxima. Aí, o jovem despiu todas as suas roupas e, nu e sozinho, subiu meia encosta até onde o mestre escavara um buraco da visão. Sem hesitar, o jovem meteu-se no buraco, e depois começou a gritar - Grande Espírito, Grande Espírito, envia-me uma visão! Continuou a gritar durante todo o dia e toda a noite, e, mal rompeu a aurora, fez uma pausa para recuperar o fôlego. No silêncio da manhã, de repente, ouviu vozes a sussurrarem por perto. Olhou em volta, mas não viu ninguém. Apurou mais o ouvido, e percebeu que era a erva que falava, e lhe dizia - Ouve lá! Há aqui tantas montanhas. Por que tinhas tu …

Mutação

"Iam e vinham, os visitantes. Alguns voltavam, outros não.    Lembrava-se da maioria dos que o tinham procurado, ali onde vivia há décadas e os dias passavam iguais. Velhos ou novos, todos queriam beber o seu conhecimento hermético. Alguns, aproximavam-se com cautela e reverência, outros com jactância e uma pose de quem sabia muito. Quando se iam embora no final, todos se quedavam em silêncio.    Havia membros da mesma irmandade espalhados pelo mundo, em ambientes semelhantes, todos fechados à chave em lugares de onde não poderiam sair sozinhos. Todos ocultando segredos obscuros que por vezes partilhavam com os poucos que entendiam a sua linguagem.    Um dia a porta debaixo do letreiro «Esoterismo» abriu-se. Mãos delgadas elevaram-se e retiraram-no da prateleira. Era a rapariga que já vira naquela mesma sala, pegando em outros como ele, folheando-os brevemente e devolvendo-os à estante, parecendo não ter encontrado o que procurava. Talvez hoje fosse diferente.    Ao contrário…

Os lugares de Arla Valerion

"Os olhos de Aline cintilavam uma luz irídica de vislumbrar as paisagens que Arla Valerion descrevia com uma intensidade fulgurante. Aline fechou o livro e ficou a imaginar as viagens de Arla pelo enorme mundo. Como conhece imensamente, como é exuberante esta escritora.    O livro tombou das mãos de Aline para o seu regaço e ali ficou humilde, calado. Mas na mente de Aline havia um burburinho fecundo, insistente, carregado de lugares onde a magia da natureza prevalece sobre todas as coisas. Aline queria ser como Arla Valerion, conhecer aqueles lugares luxuriantes, exprimir-se com o timbre da natureza, mas tudo o que Aline havia conseguido fora escrevinhar umas cartas de amor pouco voluptuosas, pouco aromáticas na tintífica fragrância. Ocorria-lhe agora que podia ter exprimido os seus sentimentos de uma forma mais apaixonada, mais romântica. E com as frases de Arla Valerion na memória, Aline chegou a acreditar que teria sido capaz. Mas agora era tarde.    Aline perdera o seu n…

O homem que inventou o mar

O mar cheirava a uma vela inchada pelo vento, onde a água, o sal e um sol frio se uniam. Patrick Süskind, in O Perfume
"O homem ouvira falar do mar. Um daqueles viajantes que carregam consigo sonhos em forma de palavras, tinha dito das ondas, do azul, da imensidão de água. Falara dos peixes que o habitavam, contara lendas de espantar e dissera que os homens dos mundos à beira-mar os pescavam, horas e horas sentados nos locais onde a água vinha tocar a terra.    Aquele homem vivia sozinho, num país árido, quase deserto. Tinha envelhecido a sonhar com o mar. Queria apanhar um peixe, ser da água, vivo, brilhante. Queria que as ondas o molhassem, lhe refrescassem o corpo, queria dar-se àquela água que, tinha a certeza, o esperava. A sua cana de pesca era um pau fino que todos os dias afagava, imaginando o belo peixe que nela dançaria. Até talvez o desse depois ao mar, onde afinal pertencia.    Um dia partiu. Caminhou na secura desértica sem que encontrasse nenhum vestígio de água. De repen…

CONVENÇÕES

"A CLASSE MÉDIA É UMA TERRA ESTRANHA.    A Mirtes não se aguentou e contou para Lurdes:    - Viram teu marido entrando num motel.    A Lurdes abriu a boca e arregalou os olhos. Ficou assim, uma estátua do espanto, durante um minuto, um minuto e meio. Depois pediu detalhes. Quando? Onde? Com quem?    - Ontem. No Discretissimu's.    - Com quem? Com quem?    - Isso eu não sei.    - Mas como? Era alta? Magra? Loira? Puxava de uma perna?    - Não sei, Lu.    - O Carlos Alberto me paga. Ah, me paga.    Quando o Carlos Alberto chegou em casa, a Lurdes anunciou que iria deixá-lo. E contou porquê.    - Mas que história é essa, Lurdes? Você sabe quem era a mulher que estava comigo no motel. Era você.     - Pois é. Maldita hora em que eu aceitei ir. Discretissimu's! Toda a cidade ficou sabendo. Ainda bem que não me identificaram.    - Pois então?    - Pois então que eu tenho que deixar você. Não vê? É o que todas as minhas amigas esperam que eu faça. Não sou mulher de ser enganada pelo marido e n…

Biblioteca Extravagante - Histórias para miúdos e graúdos contadas a partir de objetos

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Biblioteca Municipal
6 de Dezembro - 11H00